Você faria diferente de Alemão?

Júlio Sodré
Esportes | Publicado em 17/07/2019 às 21:16

Foto: técnico Alemão tem mostrado descontentamento com postura de Dagoberto - Gustavo Oliveira/ Londrina EC

“Nós estamos trabalhando, estamos treinando, só estamos aguardando ele. Só isso. Ele não vem, faz tempo que ele não aparece no nosso plantel, no grupo, então não tenho muito o que falar…”


Clique aqui para conferir a fala de Alemão e a reportagem completa sobre o treino!


Direto como sempre, o técnico Alemão mais uma vez falou sobre o atacante Dagoberto. A resposta acima foi destinada aos jornalistas na única atividade da semana aberta à imprensa, na terça-feira. Para não ficar em cima do muro, assumo que aprovo a postura do treinador.


O atacante Dagoberto tem qualidade técnica indiscutível, é o maior vencedor individual do Campeonato Brasileiro, foram cinco taças. No ano passado, ele foi o artilheiro do Londrina na Série B, com 18 gols. Detalhe: jogou apenas metade da competição, por causa de uma lesão logo na primeira rodada da segunda divisão de 2018.


Mudou o ano e a tolerância com o jogador por parte da diretoria alviceleste só aumentou. Com o histórico descrito acima, quem não aceitaria as exigências de Dagoberto?! Ainda mais se levarmos em conta que o Tubarão não paga salários astronômicos e também não costuma contratar estrelas. Principal pedido do astro: passar três meses de férias e se apresentar aos treinos apenas para a Série B.


A pressão sobre o atacante, que neste ano fez apenas um gol e disputou apenas quatro jogos, seria muito maior se a molecada revelada pelo clube, boa parte já negociada com o futebol português, não resolvesse os problemas por aqui.


Foi com elenco chamado pela própria diretoria na pré-temporada de time B que o Tubarão chegou de maneira inédita à quarta fase da Copa do Brasil, alcançou uma campanha razoável no Paranaense e permaneceu no G4 durante as oito rodadas iniciais da Série B do Brasileiro. 


O jovem meia Luquinha, autor de quatro gols, foi para o Portimonense, de Portugal. O mesmo destino teve o lateral Felipe, líder de assistências no ano, cinco no total. O atacante Marcelinho, que balançou as redes adversárias três vezes, fechou com o Marítimo, também de Portugal. A turma que resolvia, ‘deu linha na pipa’. Hora para Dagoberto mostrar que estava “na ponta dos cascos”. Correto? Errado!


O torcedor que esperava ver o experiente atleta em campo na retomada da Série B, após mais de um mês de recesso por causa da Copa América, viu uma perdida em Ponta Grossa, contra o Operário, sem Dagoberto em campo. O resultado foi a segunda derrota consecutiva na Série B. O Londrina saiu do G4 pela primeira vez na competição. No mesmo fim de semana, pessoas mais próximas do jogador viram o atacante atacar em outro campo, o do futevôlei. É nesta modalidade que ele, constantemente, é visto em quadras de areia da cidade.


A aparente falta de comprometimento reflete no semblante e nas poucas palavras do treinador alviceleste quando responde algo sobre o assunto. Dagoberto apareceu para treinar com o restante do elenco somente neste semana, depois de tratamento fisioterapêutico particular fora do CT da SM Sports, permitido pela diretoria.


Fico aqui pensando em qual seria a reação de um atacante “comum” que está ‘ralando a bunda no gramado’ todos os dias ao ver que Dagoberto chega para treinar durante uma semana, ganha a camisa 10 e se torna titular. Em uma situação normal, seriam enormes as chances de Alemão perder o controle que tem sobre o atual grupo de trabalho. Será que isso vai ocorrer? Pouco provável, mas como não sou a Mãe Diná, não é possível prever o que vai rolar.


Além de Dagoberto, o elenco tem mais trinta e poucos jogadores. O comando técnico precisa ter cuidado com as atitudes. Além disso, a instituição Londrina Esporte Clube está acima do jogador e deve ser respeitada. O Dagol, como é chamado pelos fãs, já comunicou que esta é a última temporada dele como jogador profissional.


O que o atacante quer, sinceramente, eu não sei. O que o torcedor quer, eu desconfio. O sonho deve ser o acesso para a Série A. Se isso virar realidade com uma estrela do nível de Dagoberto artilheiro novamente, a alegria seria ainda mais intensa. Eu também desconfio o que o torcedor não deseja: lembrar que no último ano da carreira de jogador de futebol profissional, Dagoberto fez mais a diferença no futevôlei do que no Londrina Esporte Clube… e sem o acesso para a elite do futebol nacional.


Bônus Track


Encerro este texto com mais um trecho da entrevista do técnico Alemão, ao falar sobre Dagoberto:


“Quantas entrevistas eu dei falando aqui que eu conto com ele, que ele é um cara importante e falando que ele vai ser útil para nós? Não preciso falar mais nada”



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