No Pan de Lima, atletas das Forças Armadas faturaram 54% das medalhas do Brasil

Estadão Conteúdo
Atletismo | Publicado em 15/08/2019 às 07:55

A continência, saudação militar que causou polêmica na Olimpíada do Rio-2016, foi gesto comum nos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru. Os atletas militares, aqueles patrocinados pelo Programa de Atletas de Alto Rendimento (PAAR) das Forças Armadas e que prestam continência nas cerimônias de premiação, conquistaram 54% das medalhas do Brasil. Se os atletas das Forças Armadas formassem um país independente, ele ficaria na 5ª colocação no quadro de medalhas. Os militares eram 138 dos 485 atletas.

Das 171 medalhas que o Brasil ganhou em Lima, 93 foram conquistadas por atletas militares em diversas modalidades. Em relação às medalhas de ouro, foram 33 de militares do total de 55. Houve avanço em relação ao Pan de Toronto. Em 2015, o País obteve 141 medalhas, sendo que 67 delas foram conquistadas por militares atletas.

Para ser um atleta das Forças Armadas, é preciso fazer parte da elite do esporte. O programa considera os resultados em competições nacionais e internacionais e as medalhas se transformam em pontuações. A inscrição é voluntária para as 42 modalidades olímpicas. Terceiro-sargento da Aeronáutica, o ginasta Arthur Nory diz que foi convidado em 2016 para integrar o programa, que estava iniciando na modalidade. Hoje, a equipe está completa.

Por outro lado, a ação não atua na formação de atletas das categorias de base. São selecionados os melhores de suas modalidades, aqueles que já estão prontos e com grande potencial de conquista de medalha.

Ser um atleta militar não significa ir aos quartéis diariamente. A rotina é diferente da vida dos militares de carreira. Eles precisam comparecer de três a cinco vezes por ano nos centros de treinamentos para cursos de reciclagem. Os treinos podem ser feitos nos clubes. Além disso, os atletas têm de representar o País nos Jogos Militares.

Neste ano, o Ministério da Defesa investe R$ 10 milhões no PAAR, desenvolvido em parceria com o Ministério do Esporte, que hoje se tornou secretaria especial. O valor significa um aumento de 25% em relação ao ano passado e se destina à preparação, treinamento e participação dos atletas em torneios. O aporte é uma exceção no cenário nacional, marcado pela retração dos investimentos nas esferas pública e privada.

Uma das razões do aumento no investimento é a realização dos Jogos Militares, em outubro, na China. Um dos grandes objetivos do Ministério da Defesa é se manter entre as três maiores potências desportivas militares do mundo. O País deve levar quase 400 atletas.



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