Autoridades querem reverter paralisação da duplicação da BR 163

Redação Tarobá News
Trânsito | Publicado em 21/08/2019 às 16:28

O anúncio por parte do governo federal de que a duplicação da BR-163 no percurso Marechal Cândido Rondon a Toledo será paralisado em outubro devido à falta de recursos financeiros gerou preocupação nas autoridades políticas, bem como em lideranças empresariais e do setor cooperativista da região Oeste do Paraná.

A previsão era de que a duplicação, que foi iniciada em setembro de 2014 e chegou a ficar parada por seis meses em 2017 por falta de repasses do governo federal, fosse concluída no início do segundo semestre de 2020, com a consequente liberação ao tráfego. O deputado federal José Carlos Schiavinato, que já acompanhou a primeira interrupção nos trabalhos no ano de 2017, afirmou que a situação herdada pelo atual governo federal é catastrófica. “A paralisação é definitiva. O que devemos fazer é nos mobilizar para inicialmente assegurar a liberação do trânsito de Vila Ipiranga a Dois Irmãos e em um segundo momento, junto da bancada federal paranaense, pleitear a realocação de verba para concluir a obra”, declarou.

Autoridades e lideranças de Marechal Rondon e região prometem se mobilizar para tentar reverter a decisão e assim garantir recursos à conclusão dos trabalhos.

 QUESTÃO DEFINITIVA

O deputado Schiavinato acompanha o desenrolar dos fatos desde 2017, quando deputado estadual, e já naquela época foi um dos parlamentares a se engajar na luta visando à liberação de recursos à continuidade da obra depois da primeira interrupção. “Os trabalhos seguiram ano passado e neste ano havia R$ 80 milhões disponíveis, todavia o governo federal precisou fazer o contingenciamento do valor em função da falta de dinheiro em caixa e com essa redução foi cortada a duplicação da BR-163 no percurso Marechal Rondon a Toledo. Não é que o governo não queira fazer, não existe dinheiro. O governo federal está no fundo do poço, em uma situação muito difícil. Esta paralisação é definitiva, pois o governo não tem possibilidade de colocar recurso, ou seja, a duplicação será paralisada e pela informação recebida ontem (quinta-feira, 15) não tem recurso para tocar até o mês de outubro; deve parar ainda em setembro”, revela.

Schiavinato informa que ele e a bancada paranaense devem receber na segunda-feira (19) um levantamento do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) sobre o montante financeiro necessário neste momento à conclusão da obra. “A partir disso queremos nos reunir com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, para solicitar a entrega até o final deste ano do trajeto de Vila Ipiranga até Dois Irmãos, em Toledo. Não será fácil, mas fica a esperança de conseguir realocar recursos de outro sistema dentro do que o orçamento permite para concluir mais um trecho, para em um próximo passo iniciar a discussão e viabilizar dinheiro à conclusão da totalidade da obra”, expõe.

O parlamentar frisa que enquanto engenheiro civil se sente na obrigação de relatar que a situação é realmente drástica. “Se não houver um trabalho da bancada e se nós não conseguirmos recursos do orçamento impositivo referente ao Paraná, adianto que o governo federal não tem como concluir este investimento. A situação do Brasil é muito difícil. O presidente Jair Bolsonaro determinou a conclusão das obras existentes antes de iniciar novos investimentos, porém os compromissos que não foram honrados no passado devido à falta de planejamento hoje comprometem a realização de obras essenciais, caso da duplicação da BR-163 de Marechal Rondon a Toledo”, menciona, acrescentando: “será preciso uma mobilização muito forte de autoridades políticas, empresariais e cooperativistas de Marechal Rondon, Quatro Pontes e Toledo para assegurar a duplicação”.

 

BUSCA PELA EXECUÇÃO

O prefeito rondonense Marcio Rauber lembra que quando ocorreu a primeira interrupção dos trabalhos na rodovia, em 2017, houve uma mobilização em massa. “Reunimos prefeitos, deputados e representantes da sociedade organizada e nos dirigimos a Brasília para conversar com o então ministro dos Transportes, quando a situação foi revertida. Recursos foram destinados e a obra voltou a andar bem. Muito foi executado e quando se passa por essa estrada dia a dia é perceptível a evolução, então existe a necessidade de uma movimentação e na minha opinião ela deve ser encabeçada pelo governador do Estado, porque é uma obra de interesse estadual, pelos senadores, pelos deputados federais e obviamente os prefeitos da região devem se solidarizar, se colocar à disposição e eu já me coloco, para que todos juntos consigamos sensibilizar o presidente da República através do ministério competente para que recursos suficientes sejam destinados a esta obra para que ela chegue à sua execução final”, enfatiza.

Rauber destaca que a não conclusão da obra traz prejuízos muito grandes para a região, uma vez que pela rodovia é transportada grande parte da produção do Leste paraguaio, mais a produção do Oeste do Paraná, bem como é utilizada por muitos rondonenses que buscam qualificação em Toledo e Cascavel. “Muitos municípios usam a estrada para que os seus habitantes tenham atendimento especializado em saúde, então é uma rodovia extremamente importante e nós precisamos unir forças para que a paralisação definitiva não aconteça”, reforça.

 

UNIÃO DE FORÇAS

Na avaliação do presidente da Câmara de Vereadores de Marechal Rondon, Claudio Köhler, somente a união de forças poderá superar este problema. “O deputado Schiavinato está empenhado nas tratativas junto ao Dnit, ao ministro de Infraeestrutura e até mesmo com o presidente Bolsonaro, com quem também tem acesso. Talvez a melhor alternativa seja juntar a classe empresarial e representantes políticos para expor ao presidente da República a necessidade de concluir a duplicação”, opina.

Köhler entende que o impacto de interromper a duplicação não ficará restrito a Marechal Rondon, Quatro Pontes e Toledo, contudo será estendido a todos os municípios da região, por ser sinônimo de desenvolvimento econômico e social. “Vamos trabalhar para reverter este quadro e garantir a conclusão até julho do ano que vem, uma vez que empreendedores adquiriram áreas às margens da rodovia para futuros investimentos. Reconhecemos a dedicação da Acimacar neste assunto, pois sempre atuou de forma ímpar para buscar esta importante obra à região”, ressalta.

 

IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA

O presidente da Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Oeste do Paraná (Caciopar), Alci Rotta Júnior, diz que a BR-163 é extremamente importante para o desenvolvimento da região. “Sabemos que não temos uma ferrovia capaz de escoar as riquezas do Oeste para o porto, então somos dependentes de rodovias, e a BR-163 tem ligação estratégica com o Mato Grosso do Sul, pois parte da produção do Paraguai passa pelo Oeste com diversos destinos, portanto a duplicação é de suma importância para o desenvolvimento da região. Somos uma região forte no agronegócio e na agroindústria e a única forma de transporte é pela rodovia, então o impacto que isto pode trazer é muito drástico. Devemos lutar para que esta obra não pare”, afirma.

Rotta expõe que um ano atrás já havia o risco de interrupção na obra, quando ele foi com uma comitiva de prefeitos e deputados do Oeste do Paraná questionar o Ministério dos Transportes, fazendo a duplicação avançar. “Inicialmente vamos cobrar dos deputados federais e senadores, especialmente os deputados da região, solicitando empenho para que a obra continue. Se precisar iremos a Brasília”, salienta, acrescentando ser uma preocupação não só quanto à duplicação do trajeto Marechal Rondon a Toledo, como também de Santa Tereza do Oeste até Marmelândia.

“Três semanas atrás eu estive em Brasília, no Ministério da Infraestrutura, para tratar do Aeroporto Regional e sobre ferrovias. O ministro Tarcísio Gomes de Freitas demonstrou interesse em investir em ferrovias. Nós estaremos combativos para que a duplicação da rodovia BR-163 não pare”, frisa Rotta.

 

ARTICULAÇÃO NECESSÁRIA

Na opinião do presidente da Associação Comercial e Empresarial (Acimacar), Ricardo Leites, a paralisação da duplicação vai causar muitos problemas, pois a BR-163 é uma das vias que passam por Marechal Rondon e é muito importante para o escoamento das produções agrícola e industrial, tanto de Marechal Rondon quanto do Mato Grosso do Sul. “Além de termos impacto social com a não duplicação deste trecho, pois quem mora no centro de Marechal Rondon cruza a rodovia para ir até o Bairro São Francisco, existe o impacto econômico. Devido às obras de duplicação da BR-163, a prefeitura rondonense sugeriu na revisão do Plano Diretor transformar em área industrial o trecho de Marechal Rondon a Quatro Pontes. Setores comerciais, de prestação de serviços e indústrias futuramente podem se instalar no local, portanto o impacto será grande neste quesito”, aponta.

Leites comenta que após o anúncio da paralisação das obras os diretores da Acimacar se reuniram e estão no aguardo de outras informações para tratar da questão com os poderes Executivo e Legislativo de Marechal Rondon e Quatro Pontes. “Também vamos nos articular para acionar a Amop e o Conselho de Desenvolvimento dos Municípios Lindeiros para tentar pressionar pela não interrupção da duplicação devido à importância ao crescimento e desenvolvimento da região”, salienta o presidente da Acimacar.

 

REIVINDICAÇÃO

O diretor-presidente da Copagril, Ricardo Chapla, lamenta o anúncio da interrupção por ser uma rodovia muito importante para o Oeste do Paraná, especialmente para quem produz e transporta, a exemplo da cooperativa Copagril, que tem várias atividades no agronegócio. “É uma obra muito importante para quem está aqui e para aqueles que transitam, pois grande parte da produção do Mato Grosso do Sul também passa por aqui. Vamos aguardar para saber se é oficial e a partir disso juntar as forças regionais, especialmente as políticas, como deputados, prefeitos, vereadores e pessoas que fazem parte do setor público. Também vamos unir as forças empresariais e fazer uma mobilização maior junto a quem cabe e assim buscar alternativas para não paralisar uma obra que na verdade deveria ter sido feita há dez anos”, evidencia, ampliando: “Devemos envolver órgãos e associações representativas e reivindicar que realmente seja concluído este trecho e depois, claro, buscar as outras partes para que possamos ter uma infraestrutura, pelo menos, próxima daquilo que é desejável”.


Com informações: Toledo News



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