Caindo na real

Sara Presoto
Comportamento | Publicado em 15/06/2019 às 13:31

Sou forte quando sou fraco. O apóstolo Paulo, disse isso certa vez. Eu, com 40 anos, acabei de descobrir o significado dessa frase. Perdi minha casa, meus móveis, meu padrão de vida, meu salário na tv, fracassei no segundo casamento. Estava me sentindo frustrada. Como aconteceu isso? Sempre fui autossuficiente. Daquelas que dá a cara a tapa. Faz acontecer. Nunca precisou de ninguém. Sempre se virou sozinha. Mas chegou um momento da minha vida em que eu estava extremamente cansada. Esgotada. Esvaída. Sem forças para continuar. E cadê toda aquela minha força neste momento? E cadê toda aquela prepotência disfarçada de potencia? Cansei. E tinha vergonha disso. Vergonha de ser fraca. De estar falhando ainda mais depois de tantos fracassos ao longo da vida. Um após o outro. Foi daí que eu resolvi entregar os pontos. Os pontos da empoderada mulher fodástica. E resolvi apenas ser eu mesma. Fraca. Imperfeita. Cansada. Mãe. Desvalorizada. Fracassada. Assumi esse papel perante mim e o mundo. A tal da sociedade. Apertei o foda-se: julguem-me! Não aconteceu. Ninguém me julgou. Neste estado de fraqueza, voltei minhas energias ao que sempre acreditei. A algo maior. Tão poderoso que sempre esteve dentro de mim e eu nunca precisei pedir ajuda. Clamei a Deus. Mostrei minha fraqueza. E ele me acolheu. Conheci um Deus que ainda não tinha conhecido. Em 4 décadas de vida. Mesmo tendo aprendido a ler na Bíblia. Mesmo tendo participado de tantos grupos na igreja. Mesmo vivenciando uma religiosidade. Talvez eu soubesse os capítulos e versículos dos textos que procurava. Mas eu nunca vivi aquilo realmente. Nunca experimentei o real significado da espiritualidade que eu tanto buscava. Aprendi a conversar com Deus. Clamar. Repreender. Interceder. Aprendi que eu posso ser eu mesma em todos os lugares. E não uma personagem diferente para cada situação. Para tentar se encaixar e ter a aceitação das pessoas. Não precisa. Deus me aceita do jeito que eu sou. Pacotinho completo. E foi quando eu me permiti estar fraca. Quando eu aceitei a minha insignificância perante toda a grandeza do Divino, foi que eu me reestabeleci. Foi quando eu fiquei forte. E tem sido assim. Dia após dia. Altos e baixos. Mas tenho investido e fortalecido meu relacionamento com Deus. No livro de Jó diz: viemos nus e voltaremos nus. Deus permitiu que me tirassem “coisas” e o mesmo Deus pode me dar tudo em dobro. Ou até mais. Mas isso não é mais o que me importa. Não ligo mais para os bens, dinheiro, status. Pois o que eu preciso, eu já tenho. Uma vida com saúde. Um filho com saúde e a chance de recomeçar todos os dias... Gratidão. Acho que eu acabei me esquecendo dessa palavra quando eu me sentia muito forte. Por isso, talvez tenha acontecido tudo isso. Para eu enxergar. Precisava desse chacoalhão. Portanto, a partir de agora, minhas orações são: agradecer, agradecer e para sempre agradecer.



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