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A greve acabou, mas a crise não!

Fernando Brevilheri

foto: arquivo

A greve dos trabalhadores no transporte coletivo terminou, mas isso não significa que a crise do setor tenha acabado. Há cerca de três meses, Londrina viveu o mesmo impasse gerado pela falta de pagamento dos funcionários que – com razão- decidiram cruzar os braços. E não é exagerado dizer que no mês que vem possa haver novos atrasos. 

Mas qual a lição que fica desse prejuízo ao usuário, aos trabalhadores do sistema e à economia? Esta paralisação de quase seis dias revelou que os atores envolvidos não trataram a questão para buscar uma solução definitiva e sim parcial.  

Até agora algumas perguntas ficaram sem respostas e os mesmos atores não vieram a público com a transparência necessária para explicar o imbróglio que se transformou o transporte coletivo em londrina. Por exemplo: 

Se as empresas até ontem não tinham dinheiro para pagar os trabalhadores de onde veio a verba que viabilizou o acordo? O custo com folha de pagamento gira em torno de R$1.5 milhão. Em outras paralisações, o pagamento foi viabilizado por meio de prováveis empréstimos na rede bancária. Se qualquer cidadão entrar no site da CMTU em busca da planilha de custos (lista de itens que compõem a tarifa) do transporte vai encontrar o documento de 2019. 

Nunca é demais lembrar que as relações entre Prefeitura/CMTU e Empresas operadoras se dão por meio de um contrato de concessão assinado após um processo licitatório. Há uma lista de obrigações de ambas as partes que se observamos com cuidado não estão sendo cumpridas. 

E a lógica é simples. As empresas transportam o usuário e recebem pra isso por meio da tarifa. Para se chegar ao valor de R$4,25 é feito um profundo estudo técnico levando-se em conta custos, encargos, folha de pagamento, combustíveis, pneus, etc., além dos subsídios e as gratuidades que são dadas a determinados passageiros como os idosos por exemplo. 

O prefeito Marcelo Belinati (PP) chegou a dizer que as empresas estavam preferindo pagar fornecedores em prejuízo aos trabalhadores. E declarou também que o pagamento da folha é previsto em contrato. No entanto, é preciso lembrar que revisão tarifária também é prevista em contrato. 

Levando-se em conta a pandemia que gerou uma queda de até 70% no número de passageiros transportados é nítido um desequilíbrio na relação de receitas e despesas das operadoras que precisa ser considerado. 

Chegou o momento dos poderes executivo e legislativo enfrentarem o problema de frente e discutirem uma saída para o setor. Iniciativa que até agora não apareceu. Fica a sugestão a algum vereador levantar a bola e prestar um relevante serviço à cidade. 

 

 

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