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Agenda com nomes e valores confirma tese do Gaeco e complica vida de investigados

28/01/18 às 22:09 - Escrito por Diogo Hutt

As buscas e apreensões feitas pelo Gaeco nos gabinetes dos vereadores Rony Alves e Mário Takahashi e nas casas e escritórios dos demais investigados na operação ZR3 já deram resultados. Alguns considerados decisivos para essa primeira parte da operação. Integrantes do Gaeco teriam passado o final de semana debruçados sobre inúmeros documentos, mas um deles chamou a atenção das equipes. Trata-se de uma agenda contendo inúmeros nomes acompanhados de valores, uma espécie de confirmação de toda a teoria apresentada até agora pelos promotores e pelo delegado Alan Flore de como funcionava a organização criminosa.

Esse documento é importante porque reforça o que já havia, através de uma interceptação telefônica, ficado claro com a fala da ex-presidente do IPPUL, Ignês Dequech. Inês confirmou que o dinheiro cobrado por Luis Guilherme Alho para fazer o Estudo de Impacto de Vizinhança na propriedade de Junior Zampar não era apenas pelo serviço técnico. O valor seria dividido entre pessoas que teriam que dar pareceres favoráveis ou agilizar o processo para mudança de zoneamento, o que configura um grande esquema ilegal de cobrança para mudança de zoneamento.

Confira parte da conversa de Inês com Junior Zampar interceptada pelo Gaeco com autorização judicial. Nesta conversa Inês tenta convencer Junior a contratar Luiz e explica por que os valores cobrados por ele são mais de um milhão e meio de reais mais caro que os da empresa Brasil Ambiental.  

Ignês: Então a Brasil Ambiental não vai, eu acredito que vai fazer toda a tramitação, mas na hora da aprovação eles vão ter dificuldade. E o LUIZ GUILHERME é justamente ao contrário, entendeu?

Por que que ele cobra caro?

PORQUE ELE TEM QUE AGRADAR OS VEREADORES, ELE TEM QUE AGRADAR UM

MONTE DE GENTE, PORQUE ELE, ENTENDEU? ELE É POLÍTICO.

Junior: ESSE AGRADA É DAR DINHEIRO?

Ignes: PODE SER!

Junior: Ou terreno no Alphaville. Que foi o que ele cobrou.

Ignes: Que é uma forma de cobrar. Então o que que acontece, ele...

Até então, a discrepância de valores e esse “pode ser” de Ignês eram os fatos mais fortes do Gaeco que comprovavam o esquema, no entanto, esse documento apreendido com nomes e valores parece colocar uma pedra ainda mais pesada sobre a cabeça dos acusados. Os advogados de defesa precisam pensar numa boa teoria para explicar como os nomes dos investigados ou parte deles estava em uma mesma lista com valores ao lado.

Pode ser cedo para falar em delação premiada, mas acredito que depois desta revelação é hora do assunto entrar em pauta. Na próxima postagem vou escrever mais sobre o pedido de um milhão de reais que teria sido feito por Mário Takahashi a Junior Zampar e a validação desta denúncia por testemunhas ouvidas pelo Gaeco. Segura que a semana promete.  

A operação ZR3 foi deflagrada pelo Gaeco na última quarta-feira, 24 de janeiro de 2018. O objetivo é identificar membros do que os promotores e o delegado Alan Flore apresentaram como grande organização criminosa que atuava na mudança de zoneamento na cidade. A suspeita é de tenham sido praticados crimes de corrupção passiva e ativa no recebimento e pagamento de valores para alterações de zoneamento. Entre os investigados estão o presidente da câmara de vereadores, Mário Takahashi, o vereador Rony Alves, servidores públicos, ex-secretários municipais, empresários, integrantes do Conselho Municipal das Cidades e atravessadores. Onze investigados, incluindo os vereadores, foram obrigados pela justiça a usar tornozeleiras eletrônicas e foram impedidos de entrar nos prédios da prefeitura e da câmara de vereadores.

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