Estudante de direito pede desculpas por suposto ato de racismo e se diz ameaçado

Fernando Brevilheri
Política | Publicado em 31/10/2018 às 16:44

O promotor de justiça Paulo César Vieira Tavares pediu abertura de inquérito policial para apurar suposto crime de racismo cometido por um estudante de direito Pedro Bellintani Baleotti de 25 anos. O ofício é destinado ao Delegado Chefe da 10 ª SDP Delegado Osmir Ferreira Neves Junior. Tavares se apoia no artigo 20, Parágrafo 2º, da lei 7.716 de 1989. Em caso de condenação a pena vai de um a três anos e multa. Em São Paulo, a polícia já indiciou o rapaz com base na mesma lei. Baleotti gravou um vídeo dentro do carro no dia das eleições de segundo turno.

O vídeo que “viralizou” nas redes sociais mostra o rapaz dizendo que está indo votar ao som de Zezé, armado com faca, pistola e o diabo, louco para ver um vagabundo com camiseta vermelha e já matar logo. Oh tá vendo essa “negraiada”? Vai morrer, vai morrer!

Para o promotor trata-se de uma incitação à discriminação racial o que configura crime de racismo. O fato de estar com uma camiseta estampada com Jair Bolsonaro gerou inúmeros comentários de internautas.

A Universidade suspendeu o estudante temporariamente. A sub seção Londrina da OAB publicou nota de repúdio ao gesto. O escritório de advocacia em que trabalhava o demitiu. A repercussão negativa trouxe um pedido de desculpas do jovem nas redes sociais e à imprensa.

Segue a integra do pedido de desculpas de Pedro:

“A respeito do vídeo que circulou nas redes sociais, quero dizer que se trata de um desabafo e um posicionamento político que fiz, porém de uma forma descabida e extremamente equivocada. Acabei destratando pessoas que nem conhecia. E mais: pela forma contundente que falei, causei um receio e até certo medo. Quem me conhece sabe bem que não sou racista, muito menos um indivíduo violento. Por essa razão, quero que todos saibam o quanto me arrependo deste episódio. A todos os que sentiram ofendidos, minhas mais sinceras desculpas! O que eu disse, de forma infeliz, não corresponde em nada com o que penso. Eu garanto! Por consequência dos meus atos estou recebendo diversas ameaças por algo que não sou. Lamento muito pelo mal que possa ter causado.”

Pedro acertou em pedir desculpas, mas precisa explicar melhor de onde vem a tal ameaça. Se isso se confirmar, fica a prova de que ódio gera ódio. Seu gesto pode servir para amenizar o impacto da notícia na opinião pública, mas talvez não alivie diante da autoridade. É preciso lembrar que atos de racismo já deram lições de que a prática é condenável e inadmissível. Haja vista o caso do goleiro Aranha – humilhado numa partida no Rio Grande do Sul. E o caso de torcedores que atiraram uma banana no lateral Daniel Alves (à época no Barcelona), quando ele descascou a fruta e comeu.



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