MP investiga policiais e delegados da cadeia de Guaíra

Paulo Martins
Política | Publicado em 08/05/2019 às 12:55

O Ministério Público do Paraná divulgou imagens e depoimentos de testemunhas da Operação Xadrez, que levou a quatro prisões preventivas de investigadores da Polícia Civil e agentes carcerários, e ao afastamento de um superintendente e do delegado da Polícia Civil de Guaíra, que segundo as investigações, era o líder de um esquema criminoso que facilitava a entrada de drogas e celulares na cadeia.


Comentário do Paulo Martins

Na área da comunicação toda vez que tomamos conhecimento de que um órgão de imprensa fechou – encerrou suas atividades – somos envolvidos por um sentimento que nos dá a sensação de termos perdido um pedaço qualquer do corpo – um braço, uma perna, um dedo que seja...é por isso que acreditamos que algo assim como ocorreu em Guaíra, envolvendo até mesmo um delegado da área de segurança, que além de trair a si mesmo e a sociedade, trai principalmente colegas de seu meio, deve também fazer sentir-se mutilado aquele que honra sua condição policial.  

O colega honesto é atingido em seu estado de espírito – queira ou não. Lidar com bandido sabemos que não é fácil, transformar-se num deles deve, se faltar caráter lapidado, exemplar formação profissional e familiar e paixão pela honestidade, o deslize não será inevitável, como esse aí. Felizmente, estamos vendo que organismos de prevenção da própria policia estão agindo para tranquilidade da sociedade e, a revelação da desmontagem dessa específica safadeza, nos tranquiliza pelo menos um pouco...mas sabe-se que ainda há muito o que fazer e principalmente no que diz respeito ao envolvimento geral de critérios, planos, cultura e essência, notadamente essência que, quando se transformará em numa espécie de dialética, não sabemos, mas há muito estamos necessitados de nos afastarmos do modelo de exigir da policia a se ajustar a fantasia que tenta cultivar, como principal espírito, o de priorizar a “recuperação do preso” como querem figuras  politico-fantasiosas desse nosso brasil, ao invés de, definitivamente, adotar-se na área do crime a punição. 

Recuperação de presos não pode e não deve nunca ser missão policial...se assim for, será o mesmo que facilitar ao bandido um contacto mais íntimo com a área policial, e daí, será como que imitando aqueles comerciais que  terminam com o ator acenando e dizendo “vem pra cá”, convidando o policial para sua área e, como se sabe, "água mole em pedra dura tanto bate até que fura".



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