'O que temos agora, é como um ajuntamento anarquista'

Paulo Martins
Política | Publicado em 22/11/2019 às 13:00

Quando Mikail Gorbachev começou a montar e aplicar a perestroica na antiga união soviética, propondo novos conceitos ao decomposto e falido regime comunista, não teve ele unanimidade no politburo. Muitos ideólogos mofados pelo tempo arreganharam os dentes para nova proposta e até rosnaram.  E uma das que rosnaram forte numa série de artigos pelo Pravda foi Nina Aleksandrovna. 

Ela falava bem e escrevia melhor ainda, e sua posição provocou sérias rupturas no politburo. Assim, Nina escreveu e publicou no Pravda tentando resistir, o seguinte: “não é um estado que temos agora, é como um ajuntamento anarquista. Quando existe um ajuntamento assim...não há estado, nem ordem, nem nada, pois um estado, acima de tudo, significa ordem”. 

Aquela observação do século passado, vinculada a um país distante que começara a se conflitar diante de duas ideologias, “remete-nos ao brasil de hoje”, país que assiste absurdos, incoerências, desprezo à leis, tudo juntado a lances de imoralidade, como o do presidente de sua suprema corte atropelar lei, princípios, escrúpulos, açoitar o respeito à sociedade, sendo sua última “molecagem, a de invadir arquivos protegidos por imperativo sigilo das pessoas” e, simplesmente voltar atrás quando da denuncia da imoralidade cometida, sem que lhe seja endereçada sequer advertência por improbidade; país do qual presidentes de câmara e senado são figuras denunciadas e a serem julgadas por atos criminosos; esse mesmo brasil surpreende sua sociedade pelo fato de se estabelecer em processo “de canetaço” o preenchimento dessa mesma corte, propiciando nela fixar elementos incompetentes e comprometidos com atos de imoralidade, principalmente na soltura de delinquentes; um país que assiste boquiaberto um condenado por atos criminosos e indecorosos, recém saído das grades, a praticar ações e ataques em palanques até contra um inatacável ministro da justiça; um país que constata que a maior parte de seus parlamentares tem contas a ajustar com a lei; um país que protege criminosos condenados em segunda instância, por conveniência de seus ministros; um país que sustenta ex-presidentes e ex-terroristas, de forma vitalícia e milionária; um país que banca campanhas eleitorais de partidos, com dinheiro saqueado de seu povo; um país cujos pedidos de impeachment de seus ministros da corte suprema batem recorde e não são julgados; um pais no qual grandes órgãos de imprensa passam a distorcer fatos e mentir descaradamente por não mais receber verbas públicas, convenhamos: nos impõe a lembrança da afirmação de nina Aleksandrovna que disse: “isto aqui não é um estado. O que temos agora, é como um ajuntamento anarquista. E quando existe um ajuntamento assim...não há estado, nem ordem, nem nada, pois um estado, acima de tudo, significa ordem, o que isso aqui não tem”.




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