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Vereadores insistem em combater a causa no transporte coletivo

Fernando Brevilheri

foto: CML

Os vereadores Mara Boca Aberta e Beto Cambará fizeram uma fiscalização surpresa no transporte coletivo na segunda-feira 13, e acham que inventaram a roda. Com um ano e meio de Pandemia, os nobres edis constataram o que o usuário, a imprensa, empresas, prefeito, cmtu e o universo já sabem: lotação, falta de cumprimento de medidas sanitárias, etc. 

O lado bom disso é trazer o debate à tona, mas ninguém no poder público parece estar disposto a encarar o tema com a seriedade e o referencial técnico que o caso exige. Aliás são poucos, os que estão credenciados a destrinchar a planilha de custos e entender porque o serviço é caro e ineficiente. 

Só pra se ter uma ideia, em Ponta Grossa a tarifa do transporte coletivo está em R$4,30. A AMTT – Autarquia Municipal de Trânsito e Transportes fez um estudo e chegou a conclusão que a passagem deveria custar R$8,35. Por lá, uma empresa opera o transporte e com a pandemia o volume de passageiros caiu 42% em 2020 em relação a 2019 quando não havia Pandemia. 

Os senhores leitores, acham que a prefeita da cidade Professor Elizabeth Schimdt vai autorizar um reajuste superior a 92% na passagem do ônibus? Além de castigar o usuário já sofrido com a inflação de quase 8%, a chefe do executivo estaria sepultando seu futuro político.  

E Londrina? Qual é a tarifa ideal que as operadoras precisam para manter o equilíbrio econômico financeiro do sistema? Lembrando que ainda vivemos restrições sanitárias e isso eleva custos da operação com compra de produtos de higienização etc. 

Esse é o ponto que incomoda. O sistema como está tornou-se inviável sob o ponto de vista econômico. Até porque qualquer que seja a nova tarifa, a conta não fecha. Se o usuário já está reclamando a R$4,25 o que diria de uma passagem a R$5, R$5,20? Como escrevi no passado sobre o tema: O Transporte Público vive a maior crise de sua história. Custos elevadíssimos de itens como combustível, pneus, manutenção, wi-fi, folha de pagamento, uniforme, seguro, etc.. Concorrência com transporte por aplicativo e pra piorar: Pandemia.  

Por vezes, vemos ofícios das Operadoras pedindo aumento na tarifa e “otimização” de linhas. O que na verdade é para diminuir despesas de rodagens. Até porque, se em determinados horários os ônibus saem lotados, em outros vivem o drama da ociosidade, mobilizando um veículo para transportar um ou dois passageiros. 

Já sugeri a discussão técnica na câmara que é o local adequado para isso, colocando frente a frente (ainda que por video) os representantes das empresas, cmtu, prefeitura, usuário e vereadores, mas parece que debater o assunto tecnicamente não dá mídia. 

Afinal, é necessário ter noções básicas de matemática para não ser ludibriado pelos tecnocratas de plantão. Mais fácil mesmo é acordar cedo e conseguir alguns minutos na TV para repetir o que a própria mídia está cansada de mostrar.  

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