Companhia argentina Fuerza Bruta traz música e dança no Rock in Rio

Estadão Conteúdo
Arte | Publicado em 02/10/2019 às 09:35

Que o Rock in Rio é um grande parque de diversões, ninguém pode negar. De tempos em tempos, enquanto o público tenta descansar pelo gramado no primeiro fim de semana, fogos de artifício criam uma atmosfera de sonho num lugar onde a música é a grande estrela.

As luzes espalhadas também veem de baixo, dos espaços parceiros - empresas de aplicativos de encontro, bancos, fast food e chicletes - e também brilham bastante na Cidade do Rock. Essa ideia de preencher os sentidos deixa muita gente deslumbrada, dividida entre fazer um selfie e gritar para seu artista favorito.

Quem domina muito bem essa arte de desconcertar e surpreender é a companhia argentina Fuerza Bruta. Queridinha dos palcos brasileiros, o Fuerza foi fundada em 2003 - e sem correspondente ou similar no Brasil - sempre apostou na espetacularidade, no brilho, em experiências imersivas e num barulho que é mais que bem vindo no Rock In Rio.

No começo do ano, passaram por São Paulo, com apresentações lotadas. Antes de desembarcarem no Rio, estiveram em Curitiba e agora ficam pelo Parque Olímpico até o final da festa do rock carioca.

Para os 34 anos do festival, a companhia que já se apresentou nas principais capitais europeias, preparou um espetáculo inspirado na história trajetória do Rock in Rio. Não é pouca coisa. Pelo contrário, é difícil enumerar a constelação que já enfrentou garoa nos palcos Mundo e Sunset.

Mas não há crise. Ao contrário de tentar criar uma perspectiva histórica sobre o festival, o Fuerza começa por trilhas mais escondidas. É possível dizer que isso se deve menos à presença dos artistas originais da companhia. Quem domina a festa é o Bloco AfroReggae, convidado do Fuerza. Os percussionistas já faziam temporada juntos com o grupo em 2017 e o que o público verá no Rock in Rio comprova o sucesso da parceria.

Dividido em diversos momentos, a percussão convoca o público desde o começo para uma experiência que ignora até mesmo a presença das guitarras e som mais tradicional do rock. Com capacidade para ao menos 3 mil pessoas, o espaço destinado ao show surge vazio e escuro, e sem pedir licença canta versos sobre um Rio de Janeiro que é se movimenta e dança.

Não demora para que o famoso símbolo do festival, o globo com a guitarra apareçam no alto do ginásio. É nessas horas que a plateia não sabe se aproveita a experiência ou grava as cenas com o celular. Na mesma altura surge uma mulher que caminha pelo céu presa em uma estrutura que gira bem próximo da cabeça de todos.

Se a companhia não reunisse tanta técnica que a fez conhecida mundialmente, o medo de quem vê pela primeira vez pode ofuscar o encantamento. Uma coisa é assistir ao Cirque Du Soleil, por exemplo, em que os artistas pulam de grandes alturas e manuseiam objetos perigosos com destreza. À distância, sentado na plateia, a sensação de segurança é maior. Mas isso não serve para o trabalho do Fuerza. A proposta de imersão é sensorial e se alimenta dessa adrenalina.

O público vai se deparar com algo mais concreto sobre o rock já perto do final. Com versos de We Are the Champions, hino do Queen, cantado em 1985. Mas a música também clama por transformação. "Vamos mudar a história" é cantada por músicos e bailarinos e tenta oferecer certa inspiração e esperança.

Há outras cenas no espetáculo que não se deve escrever com o risco de estragar a experiência do público que faz pausa para voltar ao festival nesta quinta. Mas duas dicas podem ajudar a melhorar a experiência: nas laterais é sempre melhor a vista, e, leve uma capa de chuva.

A montagem tem cinco sessões diárias, às 15h30, 17h, 18h30, 20h e 21h30, com duração de meia hora. Depois do primeiro final de semana do Rock in Rio, eles retornam nesta quinta, 3, e vão até domingo, 6.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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