De olho em Tóquio-2020, Martine Grael busca motivação em regata de volta ao mundo

Estadão Conteúdo
Vela | Publicado em 23/04/2018 às 07:50

Martine Grael sempre foi de segurar vela. E ela nunca se incomodou com isso. Pelo contrário. É uma tradição de família, na verdade. Vem do seu bisavô e foi passado a ela pelo pai, Torben Grael, um dos mais conhecidos do mundo nesta arte. A primeira vela que ela lembra ter conseguido segurar, tinha quatro anos.

Começou com tamanhos menores e hoje - olha a Martine aí, com 27 anos - ajuda a içar e descer uma vela de 133 metros quadrados. Esse é o tamanho da vela mestra de um barco da Volvo Ocean Race, a regata de volta ao mundo que ela está disputando nesta temporada - a largada para a oitava etapa deixou a cidade de Itajaí, no litoral de Santa Catarina, neste domingo rumo a Newport, nos Estados Unidos.

A decisão de participar de uma das competições mais difíceis do iatismo aconteceu após a conquista do maior sonho da vida de um(a) atleta: a medalha de ouro olímpica. Que veio ainda com o bônus de ter sido em casa, durante os Jogos do Rio-2016. "Depois disso, o que vai ter de melhor?", questionou em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo.

De olho no próximo ciclo olímpico, em Tóquio-2020, ela optou por tirar uma temporada para refrescar as ideias, buscar novos desafios e só depois retomar a parceria com a amiga Kahena Kunze. A ideia também veio com o propósito de fortalecer a amizade, que acaba se desgastando por conta da rotina exaustiva e estressante de treinamento.

"Nossa campanha para o Rio foi bem intensa. A gente fez os quatro anos inteiros treinando para caramba. A gente sabia que seria difícil fazer isso de novo de maneira fluida. Quando a gente trabalha junta, passa as partes estressantes juntas. É desgastante para relação porque a parte boa, que é o tempo livre, a gente começa a ficar separada", disse.

Nada melhor então do que sair pelo mundo, com uma embarcação com oito desconhecidos, de países diferentes, hábitos diferentes e culturas diferentes. Martine Grael faz parte da equipe holandesa da Akzonobel, que tem um tripulação formada com gente da Holanda, Dinamarca, Inglaterra, Austrália e até de Bermudas.

As etapas variam de distância e podem ter duração de até 20 dias. Após sete disputadas, a embarcação de Martine ocupa a quarta colocação no geral e vem de três pódios consecutivos. O tempo em alto mar é suficiente para ela morrer de saudade de casa e correr para o lado da amiga Kahena Kunze quando chega em terra firme. "Quando uma etapa termina, todos têm um tempo para descansar, relaxar. Eu aproveito para treinar para 49er".

A preparação mesmo para a Olimpíada começará no dia seguinte ao término da Volvo Ocean Race. Ainda faltam quatro etapas até chegar em Hague, na Holanda, porto final da regata de volta ao mundo. "Chegando, já vamos para a Dinamarca fazer a preparação para o Mundial da 49er, que acontece no começo de agosto".

A competição é classificatória para os Jogos de Tóquio-2020. "Para mim não vai ter motivação melhor do que retomar depois de um tempo. Vamos ter que correr atrás das meninas que já estão treinando. Não sei se vai dar certo ou não, mas temos que aproveitar. E isso é bastante desafiador", finalizou.



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