Estudantes de 112 países faltam às aulas em defesa do clima

Estadão Conteúdo
Brasil | Publicado em 16/03/2019 às 08:05

Milhares de adolescente de 1.769 cidades em 112 países decidiram não ir à escola ontem. Isso para seguir o exemplo de uma jovem sueca de 16 anos e fazer uma greve escolar para pedir ações dos governantes contra as mudanças climáticas.

Trata-se do ápice de um movimento solitário que Greta Thunberg deu início em uma sexta-feira em agosto do ano passado. Ela decidiu faltar à aula. Munida com o cartaz "em greve escolar pelo clima" e panfletos com fatos científicos sobre as mudanças climáticas, resolveu solitariamente seguir para a frente do Parlamento sueco, em Estocolmo, onde se sentou em um protesto silencioso.

Greta estava indignada com a inação de governantes para conter o aquecimento do planeta e decidiu que tinha de fazer alguma coisa. A garota, que se define em seu perfil do Twitter como uma ativista climática com Asperger (um quadro leve de autismo com alto desempenho intelectual), começou a fazer isso todas as sextas-feiras.

Em pouco tempo após a primeira greve, Greta passou a ser acompanhada por outros suecos. Logo, jovens de outros países começaram a imitá-la. Os atos - alguns com dezenas de milhares de pessoas - ganharam o nome de Fridays for Future. Algumas semanas depois, ela já fazia um discurso na marcha pelo clima. Em dezembro, se dirigiu a diplomatas, ministros e chefes de Estado na Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), na Polônia.

E em janeiro, discursou no Fórum Econômico Mundial, em Davos. "Os adultos continuam dizendo: 'Devemos dar aos jovens esperança'. Mas eu não quero sua esperança. Eu não quero que você seja esperançoso. Eu quero que você entre em pânico. Eu quero que você sinta o medo que sinto todos os dias. E então eu quero que você aja."

Sua figura magrinha, diminuta, séria, serena e decidida acabou se espalhando e influenciando pessoas com mais força e rapidez do que qualquer outra tentativa anterior de manifestação ambientalista. Anteontem, véspera da grande mobilização, foi indicada por um deputado do Partido Socialista norueguês ao Prêmio Nobel da Paz. "Se não fizermos nada para conter a mudança do clima, ela será a causa de guerras, conflitos e refugiados", disse o deputado Freddy André Øvstegård. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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