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Bolsas de NY: decisão do Fed reduz ganhos gerados por Trump e balanços

31/01/18 às 19:50 - Escrito por Estadão Conteúdo

Os mercados acionários americanos encerraram o pregão desta quarta-feira, 31, em alta, à medida que os investidores digeriram balanços corporativos e o discurso sobre o Estado da União do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No entanto, a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) minou grande parte dos ganhos na reta final dos negócios.

O índice Dow Jones fechou em alta de 0,28%, aos 26.149,39 pontos; o S&P 500 avançou 0,05%, aos 2.823,81 pontos; o Nasdaq ganhou 0,12%, aos 7.411,48 pontos. Nesse cenário, o índice de volatilidade da CBOE (VIX) recuou 8,45%, aos 13,54 pontos.

Após um ano combativo, Trump adotou um tom conciliador em seu primeiro discurso sobre o Estado da União na madrugada de terça para quarta-feira. Em sua fala, o presidente abriu espaço para um acordo bipartidário de imigração e não fez críticas acentuadas à oposição democrata e a acordos comerciais dos EUA. Esse pano de fundo abriu espaço para que os índices acionários americanos apresentassem ganhos no início do pregão. O movimento altista teve impulso, ainda, de balanços corporativos. A Boeing apresentou lucro bastante acima do previsto por analistas, fazendo com que suas ações saltassem 4,93% nesta quarta-feira.

Após a decisão de política monetária do Fed, no entanto, os mercados acionários ampliaram os ganhos pontualmente, mas passaram a perder força e, em alguns momentos, os três indicadores operaram no terreno negativo. Em seu comunicado, o banco central comentou que irá manter o ritmo gradualista de aperto, mas se mostrou mais otimista quanto à inflação, que, para os dirigentes, deve voltar a subir neste ano e a atingir a meta de 2% no médio prazo.

Na avaliação do economista-chefe da Pantheon Macroeconomics, Ian Shepherdson, o tom adotado na declaração do Fed foi "otimista" ao mostrar o panorama da economia nos EUA. Para ele, a primeira coletiva de imprensa de Jerome Powell, na decisão de março, deve mostrar uma continuidade da abordagem vista no comunicado desta quarta-feira "ao menos por um tempo". Shepherdson também espera uma elevação nas taxas em março, assim como os agentes do mercado: os futuros dos Fed funds, compilados pelo CME Group, mostraram que as chances de alta dos juros em março passou de 78,4% para 83,5%.

Já a Capital Economics acredita que, como o comunicado foi considerado levemente "hawkish", o Fed aponta para um cenário de aperto mais acelerado, com a possibilidade de quatro elevações neste ano sobre a mesa. Para o economista sênior para EUA da consultoria, Michael Pearce, o documento do Fed "adiciona peso" à possibilidade de quatro subidas neste ano. Entre os bancos, o J.P.Morgan subiu 0,49%, o Wells Fargo ganhou 0,77% e o Bank of America teve alta de 0,38%.

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