Com crise da JBS, pecuaristas se unem para assumir frigoríficos em Mato Grosso

Estadão Conteúdo
Economia | Publicado em 15/06/2017 às 08:55

Um grupo de pecuaristas de Mato Grosso, maior produtor de gado do País, está se articulando para criar uma cooperativa para reativar até 15 frigoríficos do Estado. As conversas ainda estão em estágio inicial, mas ganharam força nas últimas semanas, depois que vieram à tona as delações dos irmãos Batista, controladores da JBS.

A crise na empresa que se seguiu às delações provocou uma grande desarrumação no mercado de bovinos. Pecuaristas passaram a temer vender gado à prazo para a JBS, e começaram a procurar outros compradores. Mas as opções são restritas - a JBS concentra cerca de 50% do abate no Estado. Por conta desse desarranjo, o preço do gado bovino acabou caindo.

Com isso, ganharam força as conversas entre os pecuaristas para assumirem frigoríficos fechados. A ideia, segundo Luciano Vacari, diretor executivo da Associação de Criadores do Mato Grosso (Acrimat), já vinha desde que foi deflagrada, em março, a Operação Carne Fraca, que investiga o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura em esquema de corrupção, mas agora foi acelerada. "A abertura de uma cooperativa é uma das possibilidades. Podemos atrair investidores de fora, mas tudo está em discussão ainda", disse.

Fazem parte desse pool de pecuaristas os irmãos Fernando e Eraí Maggi, primos do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, donos do grupo agropecuário Bom Futuro. A família Maggi é uma das maiores produtoras de soja no Brasil. "Estamos em conversas com o governo do Estado de Mato Grosso", disse Fernando Maggi ao Estado. A ideia é que essas unidades possam se tornar exportadoras.

Fernando Maggi é hoje um dos maiores fornecedores de gado para o Marfrig, o segundo maior frigorífico brasileiro. O pecuarista também foi, há dois anos, cliente do JBS, mas decidiu romper o contrato. Maggi negou que a família, por meio do grupo Bom Futuro, pretenda abrir seu próprio frigorífico.

Mato Grosso tem, no total, 22 frigoríficos desativados, boa parte por conta do movimento de concentração do setor. Desses, de seis a oito podem ser reabertos nos próximos meses, disse Ricardo Tomczyk, secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado. Na terça-feira, o Minerva, terceiro maior frigorífico do País, anunciou que vai reabrir a unidade na cidade de Mirassol DOeste. O Marfrig também avalia reativar duas unidades.

Pedro de Camargo Neto, vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira, apoia a iniciativa dos pecuaristas e diz que as unidades reabertas têm condições de atender à demanda. No entanto, lembra que a habilitação para exportação não é tão rápida. "A inspeção para exportar para Ásia e União Europeia, por exemplo, demora de seis meses a um ano." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



Relacionados

Economia | 27-05-2018 20:00

Maia: melhor saída para impasse é reduzir ou zerar PIS/Cofins do diesel

Maia: melhor saída para impasse é reduzir ou zerar PIS/Cofins do diesel

Economia | 27-05-2018 19:35

Caminhoneiros chegam ao Planalto com 'pauta mais gorda' de reivindicações

Caminhoneiros chegam ao Planalto com 'pauta mais gorda' de reivindicações

Economia | 27-05-2018 19:15

Greve já provocou prejuízo de R$ 3 bi e sistema está entrando em caos, diz ABPA

Greve já provocou prejuízo de R$ 3 bi e sistema está entrando em caos, diz ABPA

Economia | 27-05-2018 18:00

Governo estuda entrar na Justiça para barrar greve de petroleiros

Governo estuda entrar na Justiça para barrar greve de petroleiros