Em mais um dia de cautela pela crise política, Ibovespa recua 0,66%

Estadão Conteúdo
Economia | Publicado em 08/06/2017 às 18:35

Investidores do mercado de ações atuaram nesta quinta-feira, 8, novamente sob a insígnia da cautela na chamada "super quinta" onde, no plano doméstico, ocorreu o terceiro dia do julgamento da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, no exterior, o depoimento de James Comey, ex-diretor do FBI, além da acirrada corrida para a eleição parlamentar no Reino Unido. O receio se materializou no baixo volume de operações, de R$ 6,20 bilhões, semelhante aos montantes movimentados em janeiro. O Ibovespa largou o suporte dos 63 mil pontos do fechamento de ontem e encerrou o pregão aos 62.755,57 pontos, em baixa de 0,66%.

Com peso significativo no Ibovespa, de mais de 25%, as instituições financeiras deram o tom negativo da sessão. Voltaram a circular entre os investidores os rumores sobre possível delação do ex-ministro Antonio Palocci, na qual ele poderia falar sobre suas relações estreitas com empresas e bancos. Aliado a isso, os agentes receberam com precaução a publicação da Medida Provisória (MP) 784 que amplia poderes do Banco Central sobre infrações, penalidades, medidas coercitivas aplicáveis às instituições supervisionadas. Com ela, a autoridade monetária poderá fechar acordos de leniência com os integrantes do Sistema de Pagamentos Brasileiro.

"Bancos vivem de confiança e pode vir a vazar alguma coisa que abale a credibilidade da instituição financeira. Creio que essa MP veio para evitar uma crise sistêmica, deixando os bancos blindados", observou Julio Hegedus Neto, economista da consultoria Lopes Filho.

Vitor Suzaki, analista da Lerosa Asset Management, complementa que a MP pressionou para baixo o preço das ações dos bancos à medida que eleva o valor da multa, passando de R$ 250 mil para R$ 2 bilhões. No caso da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), de R$ 500 mil para R$ 500 milhões.

Nesse contexto, a Unit do Santander perdeu 3,04%, o Bradesco PN recuou 1,51%, o Banco do Brasil ON caiu 1,50% e Itaú Unibanco, 1,04%.

Bancos e o bloco do setor elétrico fizeram contraposição às altas dos papéis de Petrobras e Vale. Elétricas foram impactadas por uma notícia policial e outra corporativa. A primeira, relacionada à operação Barão Gatuno, que investiga corrupção em Furnas. A outra, no plano corporativo, com a Copel confirmando que avalia eventual oferta subsequente de ações. Ao final do pregão, CPFL recuperou as perdas, mas Copel recuou 7,69%.

A crise política permeou o dia em meio a questões técnicas. Analistas dizem que, mesmo que Michel Temer passe pelo crivo do TSE, há dúvidas sobre a governabilidade. "Se perder o PSDB, então, fica inviável para aprovar qualquer coisa no Congresso", notou o economista da consultoria Lopes Filho.

Também, nota Suzaki, o adiamento, mesmo que por uma semana, da apreciação da reforma trabalhista teve impacto negativo.



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