Ibovespa cai 0,82% em dia de vento exterior ruim e sequência de crise política

Estadão Conteúdo
Economia | Publicado em 12/06/2017 às 18:40

Foto: divulgação

A bolsa fechou em queda pelo terceiro dia consecutivo em um pregão marcado pela preocupação dos investidores em relação aos desdobramentos domésticos do imbróglio político, mas, também, influenciado pelos maus ventos vindos do exterior. O Ibovespa encerrou a sessão com perdas de 0,82%, aos 61.700,23 pontos nesta segunda-feira, 12.

O operador da mesa institucional da Renascença Corretora Luiz Roberto Monteiro lembra que, ainda no ano passado, o investidor estrangeiro havia feito duas grandes apostas: a saída de Dilma Rousseff da Presidência e a perspectiva de que o governo de Michel Temer colocaria a economia novamente nos trilhos. "Foi com base nisso que os estrangeiros colocaram R$ 5,36 bilhões aqui no acumulado deste ano", assegurou o profissional.

No entanto, complementa, o que existe agora é uma desconfiança geral. "O mercado está particularmente preocupado com as medidas para a retomada da economia nesse contexto. Afinal, para aprovar a reforma da Previdência, precisa de tranquilidade na cena política."

Segundo ele, o volume financeiro não melhora, pois o estrangeiro, grande comprador, parou de comprar. "Aí, enquanto não se resolve aqui, os olhos se voltam para o exterior em busca de outras oportunidades." O giro de hoje foi de R$ 6,87 bilhões, mantendo a média de junho abaixo dos R$ 9,5 bilhões de maio. De acordo com informações da B3, o saldo acumulado de recursos estrangeiros neste mês está negativo em R$ 291,699 milhões.

De acordo com Pablo Spyer, diretor Mirae Asset, o mau humor dos investidores ainda reflete a votação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que manteve a chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, por causa do prosseguimento de uma situação de indefinição.

Além disso, diz, há outras questões que não param de surgir como a suposta investigação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre o relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin. "Dado o imbróglio de temas exógenos à economia, a probabilidade de aprovação das reformas cai muito. Com isso, vai se distanciando do grau de investimento."

Como se não bastassem os problemas domésticos, hoje o exterior ajudou a piorar. De acordo com a equipe de analistas da Guide Investimentos, da Ásia à Europa, o setor de tecnologia foi destaque negativo, puxando as bolsas para terreno negativo. Rafael Passos, um dos analistas, lembra que, do ponto de vista das commodities, principalmente, do petróleo, houve avanço baseado no compromisso do Catar com o corte da produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Reflexo disso, por aqui, as ações da Petrobras passaram a maior parte do pregão em alta, fechando com sinal levemente positivo.

Ainda entre as blue chips, o comportamento negativo das ações dos grandes bancos influenciou na queda do índice. O temor de uma possível delação do ex-ministro Antonio Palocci ainda ronda as mesas de operação. Os papéis do Banco do Brasil - tido como termômetro da crise política - recuaram 2,48% (ON), seguidos de Bradesco (PN), que recuaram 1,72%.



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