Índice de Preços de Alimentos da FAO cai 1,9% em maio ante abril

Estadão Conteúdo
Economia | Publicado em 04/06/2020 às 12:00

O Índice de Preços de Alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) alcançou média de 162,5 pontos em maio, queda de 3,1 pontos (1,9%) ante abril e o menor valor desde dezembro de 2018. O recuo mensal é o quarto consecutivo e reflete, principalmente, contínuos efeitos econômicos negativos relacionados à pandemia do novo coronavírus.

O resultado mensal, segundo a FAO, foi pressionado em grande parte por uma queda acentuada nos preços de todos os subíndices, exceto o de açúcar que registrou alta pela primeira vez em três meses.

O subíndice de preços dos Cereais registrou média de 162,2 pontos em maio, queda de 1,6 pontos (1%) em relação a abril e em linha com o verificado em maio de 2019. De acordo com a organização, entre os principais cereais, apenas os preços internacionais do arroz aumentaram em maio. "Os preços internacionais do arroz subiram 1%, principalmente com o aumento das cotações do Japonica e Basmati, embora o desempenho cambial e a demanda da Malásia e das Filipinas também tenham mantido as cotações da Indica firmes", destacou a FAO.

Já no mercado de trigo, após um incremento em abril, as cotações cederam quase 2% pressionadas pela perspectiva de ampla oferta global na safra 2020/21, "enquanto as atividades comerciais desaceleraram com a colheita em andamento, ou se aproximando, no Hemisfério Norte", ponderou a FAO.

A organização informou ainda que, a tendência de queda nos preços internacionais do milho, observada nos últimos quatro meses, continua e se acentuaram ainda mais em maio, atingindo patamar 16% inferior ao verificado em maio do ano passado. "A fraca demanda dos setores de alimentação animal e biocombustíveis, em meio a abundantes suprimentos de exportação, continuou pressionando os preços internacionais do milho", explica a entidade.

O levantamento mensal da FAO também apontou que o subíndice de preços dos Óleos Vegetais registrou média de 128,1 pontos em maio, queda de 3,7 pontos (2,8%) em comparação com abril, atingindo o menor nível dos últimos dez meses. "O declínio contínuo do índice reflete principalmente a queda nos preços do óleo de palma, enquanto as cotações dos óleos de canola e de girassol aumentaram", destacou a entidade.

As cotações internacionais do óleo de palma, que caíram pelo quarto mês consecutivo, refletindo principalmente a demanda global de importação prolongada e moderada, em virtude dos reflexos econômicos da pandemia da covid-19, e a expectativa de volume de produção e estoque acima do esperado nos principais países exportadores. "Em contrapartida, os preços internacionais dos óleos de canola e de girassol se fortaleceram devido, respectivamente, às perspectivas de continuidade do aperto da oferta na União Europeia (UE) e redução dos excedentes exportáveis da região do Mar Negro", informou a FAO.

Na sondagem mensal da FAO, o subíndice de preços das Carnes apresentou média de 168 pontos em maio, o que indica queda de 1,3 pontos (0,8%) em relação a abril, "registrando o quinto declínio mensal consecutivo". O índice representa também queda de 6,3 pontos (3,6%) ante o verificado de maio do ano passado e de 44 pontos (20,8%) ante o pico atingido em agosto de 2014.

Conforme a FAO, no mês de maio, as cotações internacionais das carnes de aves e suínos continuaram em queda, refletindo as altas disponibilidades de exportação nos principais países produtores, apesar de um aumento na demanda de importação no leste da Ásia após o relaxamento das medidas de distanciamento social. "Já os preços da carne ovina caíram pressionados pela menor demanda de importação do Oriente Médio, causada por dificuldades econômicas e logísticas", explica a FAO.

Por outro lado, segundo a organização, as cotações internacionais da carne bovina aumentaram puxadas pela forte demanda de importação em meio à oferta reduzida do Brasil e da Oceania, refletindo o início das fase de entressafra do rebanho.

O subíndice de preços de Laticínios, por sua vez, registrou média de 181,8 pontos em maio, queda de 14,4 pontos (7,3%) em relação ao registrado em abril. É o terceiro recuo mensal consecutivo. Nesse nível, o subíndice está 44,3 pontos (19,6%) abaixo do mês correspondente do ano passado.

Em maio, as cotações internacionais para todos os produtos lácteos caíram, com queda acentuada nos preços internacionais da manteiga e do queijo.

Conforme a FAO, as cotações da manteiga caíram em virtude da expressiva oferta sazonal, especialmente na Europa, enquanto os preços de queijo foram pressionados pela menor demanda de importação em meio às elevadas exportações da Oceania para este período. "Apesar das altas disponibilidade para exportação, as cotações de leite em pó integral e de leite em pó desnatado caíram apenas moderadamente, uma vez que os baixos preços e as atividades econômicas renovadas na China alimentaram fortes interesses de compra", informa a organização.

A FAO calculou, ainda, que o subíndice de preços do Açúcar ficou, em média, em 155,6 pontos em maio, aumento de 10,7 pontos (7,4%) em relação a abril.

"O aumento mensal dos preços internacionais do açúcar decorre das colheitas abaixo do esperado em alguns dos principais países, principalmente na Índia, o segundo maior produtor de açúcar do mundo e na Tailândia, o segundo maior exportador de açúcar do mundo", ressalta a FAO.

Segundo a entidade, o avanço nos preços do petróleo também contribuiu para o incremento nas cotações do adoçante. "Uma vez que a alta nos preços do diesel tende a incentivar as usinas a destinar maior volume de cana para produção de etanol, reduzindo a disponibilidade de açúcar no mercado global. Este é notavelmente o caso no Brasil, o maior exportador de açúcar do mundo", conclui a organização.



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