Piora em NY contamina Ibovespa, que tende a ter perdas históricas no mês e no tri

Estadão Conteúdo
Economia | Publicado em 31/03/2020 às 11:35

Crescimento do setor industrial e de serviços na China dá algum alívio ao Ibovespa nesta terça-feira, 31, último dia do mês, assim como a valorização do petróleo no exterior, após ter fechado na segunda-feira no menor valor em 18 anos . Ainda será insuficiente para apagar as perdas do mês, que já são de mais de 28% e do trimestre, em torno de 37%, devendo ser os piores resultados da história.

A visão geral é de que o quadro de fragilidade segue, diante de dúvidas quanto ao tamanho dos prejuízos gerados pela crise iniciada por conta do novo coronavírus.

Notícias de paralisação de setores da economia mundial e inclusive no Brasil em decorrência dos impactos negativos da pandemia ficam no radar dos investidores, além da instabilidade política. O Ibovespa futuro iniciou o pregão em baixa, na faixa dos 74 mil pontos, e já cai mais de 1%.

Em Nova York, os índices futuros, que chegaram a subir com mais força em reação a dados chineses e à postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação à pandemia, passaram a cair. Assim, as bolsas norte-americanas abriram em baixa

"O mercado lá fora mais está mais fraco apesar de números positivos chineses", cita Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença DTVM.

O índice de gerentes de compras (PMI) industrial da China subiu a 52,0 em março, após 35,7 em fevereiro, ficando acima da expectativa e sugerindo expansão da atividade, depois da paralisação da economia devido ao coronavírus. Já o PMI de serviços chinês avançou de 29,6 em fevereiro para 52,3 em março. Os dados podem servir, no entanto, de amparo para as exportadoras na B3, dado que a China é um grande importador do Brasil.

Na avaliação do economista Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria Integrada, o contexto geral ainda é frágil. Embora o dado chinês seja um alento, a situação no ocidente (e nos EUA) ainda é de fase inicial de deterioração. "Ou seja, ainda não há razões para uma melhora consistente", afirma.

Conforme avalia em nota a MCM Consultores, a situação econômica na China ainda não está normalizada pois persistem medidas internas de restrições por causa da pandemia de covid-19. Além disso, os principais parceiros comerciais do país asiático praticamente interromperam suas economias, o que prejudica o setor exportador chinês.

Dados informados nesta terça no Brasil - grande parceiro da China -, mostra que o quadro interno segue difícil, enquanto as medidas de estímulo não são colocadas em prática. O Índice de Confiança Empresarial (ICE) caiu 6,5 pontos em março ante fevereiro, para 89,5 pontos, a menor taxa desde setembro de 2017 (88,5 pontos), informou a Fundação Getulio Vargas (FGV).

"Novas quedas são aguardadas para abril. Não se sabe ainda quando a economia poderá começar a se recuperar, mas é certo que a subida se dará de forma muito mais gradual do que a descida", cita a MCM.

Seguem os temores crescentes em relação ao avanço do desemprego. Apesar de ter caído no trimestre até fevereiro, a Pnad mostra que há o nível de informalidade no País segue alto, em 40,6%. Vale ressaltar, que os dados ainda deverão captar os efeitos do coronavírus.



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