Relatório da reforma da Previdência agrada e dólar cai a R$ 3,85

Estadão Conteúdo
Economia | Publicado em 13/06/2019 às 18:20

Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

O relatório da reforma da Previdência na comissão especial, apresentado nesta quinta-feira, 13, foi bem recebido pelo mercado de câmbio e o dólar teve um dia de queda. A moeda americana chegou a recuar para R$ 3,83 pela manhã, mas a desvalorização perdeu um pouco de força pela tarde, por conta da alta da moeda americana perante divisas como o euro e a libra e de mercados emergentes como a Turquia e Índia. O dólar à vista fechou em queda de 0,31%, a R$ 3,8549.

No relatório da Previdência, os investidores gostaram da economia fiscal da reforma após as mudanças na comissão especial, que ficou em R$ 913 bilhões, ainda perto do R$ 1,2 trilhão do texto original do governo e quase o dobro do texto de Michel Temer. Nas mesas de operação, cresce a aposta de que o texto deve ser votado no plenário da Câmara antes do recesso, o que vem fazendo os agentes a reduzir apostas contra o real.

"A economia fiscal do relatório é um número bom e o mercado está contando com a declaração do Rodrigo Maia, de que a votação deve ocorrer no começo de julho", afirma a economista-chefe do Grupo Ourinvest, Fernanda Consorte. Na quarta, Maia disse que o objetivo é votar o texto na primeira semana do mês que vem. Anteriormente, ela destaca que a aposta majoritária do mercado era de que a primeira votação na Câmara fosse ocorrer só no segundo semestre.

O economista-chefe em do grupo holandês ING para América Latina, Gustavo Rangel, avalia que a desidratação do relatório apresentado foi "modesta". Para ele, é possível votar o texto antes de os deputados entrarem em recesso, em meados de julho, mas o cenário mais provável é de votação em agosto, após a volta dos deputados. Rangel destaca que o ambiente político no Brasil melhorou nos últimos dias, com o apoia à reforma se ampliando, mas pressões de grupos de interesse ainda podem provocar mudanças importantes no texto até a aprovação final, deixando o mercado volátil.

Se o governo conseguir aprovar no Congresso uma reforma com economia fiscal relevante, o economista do ING vê chance de o dólar testar valores perto de R$ 3,30/R$ 3,40. O cenário de Rangel é que a reforma deve ter o aval final da Câmara em setembro e no Senado em novembro.



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