UEL é a terceira universidade brasileira com mais publicações sobre o coronavírus

Redação Tarobá News
Educação | Publicado em 02/04/2020 às 11:27

Imagem: Agência UEL

Com um importante potencial humano e de infraestrutura, as  universidades estaduais do Paraná têm atuado intensamente no  enfrentamento ao novo coronavírus. Além de pesquisas, que vão desde o  monitoramento da evolução da Covid 19 e desenvolvimento de kits para  diagnóstico, até ações de atendimento direto à população com equipes  multidisciplinares capacitadas para atuarem na linha de frente em  instituições de saúde.

Segundo dados da Web Of  Science, divulgados pela Fapesp (Fundação de  Amparo à Pesquisa de São Paulo), a Universidade Estadual de Londrina  (UEL) está entre as três universidades brasileiras com o maior número de  publicações sobre o coronavírus do Brasil.

Em primeiro lugar aparece USP, com 91 estudos publicados, seguida da  UNESP com 32 e da UEL com 21. O Brasil, com 217 publicações, é o 17º da  lista mundial, que é liderada pelos Estados Unidos (4.400 estudos  publicados), seguidos da China (2.523).

 “Os dados mostram a qualidade das nossas instituições estaduais de  ensino superior e nossa capacidade de produção de Ciência, Tecnologia e  Inovação, que têm contribuído com o desenvolvimento do Paraná”, diz o  presidente do Conselho de Pró-reitores de Pesquisa e Pós-graduação da  Fundação Araucária e pró-reitor de pesquisa da UEL, Amauri Alcindo  Alfieri.

Ele explica que, além das publicações da UEL, originadas de pesquisas  sobre o coronavírus animal, há importantes trabalhos sendo  desenvolvidos no Hospital Universitário. “Falando da ação mais prática, a  UEL e outras universidades têm, inclusive, equipamentos para a produção  de kits de diagnóstico que podem contribuir com o Governo.”

REDES DE TRABALHO - Há várias pesquisas sobre a  Covid-19 em andamento, principalmente por ser um vírus novo e de  evolução clínica bem diferente do que existia até então. As  universidades estaduais estão formando redes de pesquisadores para  intensificar estes trabalhos.

O chefe do Departamento de Microbiologia do Centro de Ciências  Biológicas da UEL, Galdino Andrade, explica que está sendo criado um  grupo com pesquisadores de diversas áreas com diferentes estudos.

Entre eles, com agentes infecciosos de importância médica e  ambiental,  detecção, diagnóstico e controle, incluindo a pesquisa e  desenvolvimento de novos antimicrobianos (antivirais, antibacterianos,  antifúngicos e antiprotozoários). Virologistas estudam a interação vírus  RNA/DNA hospedeiro.

“Temos também um  projeto que visa ampliar ações de enfrentamente ao  Sars-CoV-2, agente etiológico da doença pelo novo coronavirus”, disse  Galdino Andrade.

Na Universidade Estadual de Maringá (UEM) alguns pesquisadores têm  atuado, principalmente, no monitoramento da evolução da Covid 19 com  base em modelos descritos na literatura. Mas, segundo o chefe do  departamento de Análises Clínicas e Biomedicina, Dennis Armando  Bertolini, há potencial para a produção científica ter um grande avanço.

 “Temos potencial para estudos de epidemiologia básica e aplicada,  epidemiologia molecular, desenvolvimento de testes laboratoriais, novas  tecnologias para diagnóstico laboratorial, participar de estudos  clínicos para novas opções terapêuticas, descobrimento de novos  medicamentos, avaliação da resposta imune e estudos da imunopatogênese  viral”, firma Bertolini.

“As universidades estão trabalhando arduamente, dia e noite, no  enfrentamento a esta pandemia. Temos ativos, pessoal e equipamentos que  podem contribuir muito para isso, visto que existem vários pesquisadores  que já trabalham nestas linhas”, ressaltou o pró-reitor de pesquisa e  pós-graduação da UEM, Clóves Cabreira Jobim.

DESAFIO E CONHECIMENTO - De acordo com o presidente  da Fundação Araucária, Ramiro Wahrhaftig, o momento é crítico e requer  muita ciência, muita produção de conhecimento. “Ao mesmo tempo em que  vivemos um desafio tão grande em escala global, ficamos felizes em saber  da força e competência do nosso Sistema de Ciência, Tecnologia e  Inovação do Estado”, diz ele. “Nossos pesquisadores e instituições  mostram alto comprometimento com esta causa, de forma qualificada e  reconhecida.”

“Temos acompanhado estas mobilizações e buscamos ao máximo apoiá-las.  Faremos isto com muita determinação e reconhecimento aos nossos  pesquisadores”, complementou o diretor de Ciência, Tecnologia e  Inovação, Luiz Márcio Spinosa.

Maior parte da produção científica vem de universidades públicas

O superintendente geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do  Paraná, Aldo Nelson Bona, reforça que mais de 90% de toda a produção  científica brasileira é feita nas universidades públicas e que as  estaduais estão contribuindo muito para o avanço da ciência no país.

“Ganha destaque a UEL, neste momento, e junto com ela é importante  destacar a relevância da pesquisa científica feita nas sete  universidades estaduais”, diz ele. “Elas são fortes em pesquisa básica e  aplicada e contribuem grandemente para o avanço desta área e para que o  Brasil ocupe a 13ª posição como país produtor de Ciência.”

SOLUÇÕES LOCAIS - Bona lembra que grande parte das  pesquisas é relacionada à solução de problemas locais, regionais. “Nosso  esforço tem sido em que, cada vez mais, o compromisso das nossas  universidades esteja em pesquisar e encontrar soluções que promovam o  desenvolvimento de suas comunidades, de sua região. Que atendam às  demandas e interesse da população”, afirma ele.

Com AEN



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