Araújo e Bannon discutem fala de Bolsonaro na ONU

Estadão Conteúdo
Mundo | Publicado em 13/09/2019 às 08:05

Fora da agenda oficial, o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, reuniu-se nos EUA com Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump e agitador de uma onda nacionalista de direita. O encontro ocorreu na noite de quarta-feira, 11, na Embaixada do Brasil em Washington, onde o chanceler está hospedado.

Bannon foi convidado para um jantar, no qual também estava presente o atual encarregado de negócios da Embaixada do Brasil em Washington, o diplomata Nestor Forster. A reunião não estava na agenda de Araújo. Questionada pela reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, a assessoria do ministro informou que Araújo tivera um "jantar privado".

Uma das pautas da conversa dos diplomatas brasileiros com o americano foi o discurso do presidente Jair Bolsonaro, no dia 24, em Nova York, na abertura da Assembleia-Geral da ONU.

A estreia de Bolsonaro na reunião dos 193 países-membros da organização ocorrerá em meio a questionamentos internacionais sobre a política ambiental brasileira e à repercussão no exterior do aumento das queimadas na Amazônia.

O Palácio do Planalto teme protestos no momento do discurso de Bolsonaro e assessores têm orientado o presidente a moderar suas falas para evitar novos problemas diplomáticos. Até agora, a previsão é que o foco principal do discurso seja a questão ambiental - com defesa da soberania brasileira sobre a Amazônia.

A proximidade de integrantes do governo Bolsonaro com Bannon começou desde a campanha eleitoral, quando o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, se reuniu com o ex-estrategista de Trump.

Demissão

Bannon foi demitido da Casa Branca em 2017 e escanteado pela equipe do presidente Donald Trump. Desde então, ela tenta fomentar pelo mundo uma onda nacionalista e populista de extrema direita.

Em fevereiro, em outra visita de trabalho a Washington, Ernesto Araújo esteve com Bannon na casa onde ele mora e trabalha - que o americano autointitulou como "Embaixada Breitbart", em referência ao nome do principal site de notícias da chamada alt-right americana, o qual presidiu.

Os dois se reencontraram em março, quando Bolsonaro foi a Washington para o encontro com Trump e se reuniu, também em jantar na embaixada, com representantes da direita americana.

Bannon esteve por trás da eleição de Trump e do site Breibart, de plataforma de extrema direta, anti-imigração e de supremacia branca. Ele também foi conselheiro da Cambridge Analytica, consultoria acusada de fornecer dados de milhões de usuários do Facebook para prejudicar Hillary Clinton nas eleições presidenciais americanas de 2016.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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