Eleitores mexicanos vão às urnas em ambiente de intimidação

Redação Tarobá News
Mundo | Publicado em 04/06/2017 às 15:15

Cidadãos de quatro Estados mexicanos começaram a votar neste domingo para eleger três governadores, assim como deputados e prefeitos. Acredita-se que quase 20 milhões de mexicanos, um quarto dos eleitores do país, podem ir às urnas. A votação de maior repercussão nacional é a do Estado do México, o mais populoso do país, de maior influência econômica e política e onde o governista Partido Revolucionário Institucional (PRI) poderia sair derrotado pela primeira vez em 88 anos.

A tensão nesta campanha eleitoral, marcada por denúncias de compra de votos e acusações entre todos os grupos, aumentou horas antes da abertura das urnas no Estado do México com chamadas intimidadoras para que os eleitores não fossem votar. Também foram distribuídos folhetos aparentemente oficiais que orientavam sobre o que fazer no caso de um ataque armado. Além disso, cabeças de porcos ensanguentadas foram encontradas em frente às sedes em vários Estados do partido de esquerda Movimento de Regeneração Nacional (Morena), da candidata Delfina Gómez - que nas pesquisas de opinião ficou em empate técnico com Alfredo del Mazo, do PRI.

Em nota, a Procuradoria Geral da República informou que já está investigando estes casos.

Mais de 650 denúncias foram registradas, das quais 278 feitas apenas no Estado do México. A polícia federal do país e funcionários da Procuradoria Geral da República ficaram incumbidos de monitorar o processo e o Gabinete Especializado para a Atenção a Delitos Eleitorais (Fepade) se encarregará de localizar lugares que seriam utilizados para distribuir materiais e recompensas para compra de voto.

O resultado das eleições deste domingo marcará o panorama político e a campanha presidencial de 2018 e o futuro do PRI. "Precisamos tirar do governo o partido que tem governado aqui há mais de 85 anos", declarou o eleitor Rubén Sánchez Mendoza, de 47 anos. foram convocados a ir às urnas.

Também serão eleitos o governador e deputados dos distritos de Nayarit (oeste do país) e Coahuila (norte), dois estados governados pelo PRI, e prefeitos do distrito de Veracruz (leste do México), onde o PRI perdeu pela primeira vez, no ano passado, e cujo governador está preso.

No Estado do México, onde está localizada a capital mexicana e municípios da região metropolitana, o aspirante do PRI Alfredo del Mazo estava ligeiramente na frente nas pesquisas de opinião. Eleitores contrários a del Mazo estão divididos entre vários candidatos opositores, mas há praticamente um empate técnico entre del Mazo e Delfina Gómez, do Morena. Este partido foi criado por Andrés Manuel López Obrador, pelo qual o político tentará chegar à presidência, pela terceira vez, no ano que vem.

Atrás dos candidatos do PRI e do Morena estão os aspirantes do também esquerdista Partido da Revolução Democrática Juan Zepeda e a ex-candidata presidencial do partido de direita Ação Nacional, Josefina Vázquez Mota.

O Estado do México tem uma indústria pujante e é a região com maior peso na economia do país depois da capital, respondendo por 9,3% do PIB nacional. Também conta com o maior número de eleitores entre os Estados, 11,3 milhões de eleitores, de um total de 16 milhões de habitantes.

Muitos especialistas concordam que práticas de caciques e de clientelismo que perduram pela falta de alternância política resultaram em desigualdade, violência e corrupção. Por conta disso, no ano passado o PRI perdeu em quatro Estados que sempre estiveram sob seu comando, dois de seus ex-governadores foram presos e a popularidade de Peña Nieto chegou ao nível mais baixo registrado para um governante do país.

No caso de uma derrota no Estado do México, o grande beneficiário seria López Obrador, do Morena, político que mais chamou atenção durante a campanha eleitoral e que começou sua pré-campanha à Presidência praticamente em seguida à sua derrota para Peña Nieto em 2012. (Fonte: Associated Press).



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