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Com faca no pescoço agente penitenciário faz pedido desesperado

04/07/18 às 01:04 - Escrito por Redação Tarobá News

A rebelião na Casa de Custódia de Curitiba demonstra apenas uma pequena porção de um problema muito maior que afeta o sistema penitenciário paranaense: o sucateamento da instituição. "Há oito anos o governo tirou toda a verba do sistema penitenciário com a intenção de deixá-lo sucateado propositalmente para forçar uma privatização. Sem conseguir, está implantando shelters", declara Daniel Teixeira Molina, agente penitenciário e Diretor do SINDARSPEN - Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná. Os shelters a que Molina se refere são contêineres com capacidade para até 12 presos, mas que, de acordo com ele, chegam a abrigar até 50, dependendo do nível de superlotação da penitenciária.

Além disso, boa parte das carceragens paranaenses é hoje dominada por facções criminosas. "Tirando a Casa de Custódia de Londrina e de Ponta Grossa, o Paraná inteiro é comandada pelo crime organizado: em Curitiba, a CCC é liderada pela Máfia Paranaense e outras facções como o Comando Vermelho e o PCC", afirma o agente, que ainda lembra que a CCL tem capacidade para 288 presos mas, atualmente, abriga 508. 

Dos cinco agentes penitenciários feitos reféns na rebelião da Casa de Custódia de Curitiba, dois foram libertados pelos amotinados no domingo (1) e outros três permanecem lá, como mostra o vídeo:


Em outro vídeo obtido com exclusividade pelo Tarobá News, a facção Máfia Paranaense assume a autoria da rebelião:


Em nota, o SINDARSPEN lamenta a precariedade do sistema penitenciário paranaense e elucida a motivação do motim em Curitiba, leia na íntegra:


Chega ao terceiro dia a rebelião  na Casa de Custódia de Curitiba, que fez 4 agentes penitenciários reféns. O Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (SINDARSPEN) está acompanhando desde o início, reafirmando que as rebeliões são reflexo de uma politica de precarização do sistema prisional.

No caso específico da CCC, a estrutura foi construída para 408 presos e hoje já passam de 600. E ainda existe a intenção, por parte do governo estadual, de instalar shelters para aumentar ainda mais o numero de detentos.

Para Ricardo Miranda, presidente do Sindarspen, “estamos denunciando o problema da superlotação há anos. Com isso, o agente penitenciário é o mais prejudicado. Na Casa de Custódia, por exemplo, existe já mais de 30% de superlotação e trabalhamos com menos da metade de funcionários necessários.”

Além da defasagem de número de agentes penitenciários em todo o sistema carcerário do estado, há ainda a falta de investimento em treinamento e segurança. “Não podemos mais encarar com normalidade agentes trabalharem sem o mínimo de segurança. Não existe investimento nesta área,” diz Ricardo. 

Foram 172 presos que iniciaram a rebelião no último domingo reivindicando a transferência de sete detentos. O que foi informado é que há dois meses já existe uma decisão judicial para que estes detentos sejam transferidos, porém não foi executada.  Quatro agentes foram feitos reféns e ainda é preocupante a situação.

O SINDARSPEN ofereceu todo apoio e estrutura aos familiares destes agentes, bem como continua acompanhando presencialmente o desenrolar das negociações. 
 


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