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Entenda como acusado de matar ator conseguiu RG falso em Jataizinho

Weslley Lemos

O servidor da prefeitura de Jataizinho, que atendeu Paulo Cupertino para emissão do RG falso, afirma que ficou surpreendido ao descobrir que o homem é um dos mais procurados pela polícia de São Paulo. Acusado de matar o ator Rafael Miguel e os pais dele em junho do ano passado, o foragido deixou a capital paulista e nunca mais foi visto. 

O funcionário preferiu não se identificar, mas explicou como funciona o procedimento. "Exigi toda a documentação dele. Certidão de Nascimento original, CPF opcional e uma foto colorida. Jogo no sistema, coleto todos os dados, imprimo tudo para ele conferir, assinar e coleto as digitais dele", disse. 

Posteriormente, por meio de um sistema eletrônico, os dados são encaminhados ao Instituto de Identificação do Paraná que manda os documentos por malote para Cornélio Procópio. Cupertino utilizou nome falso de Manoel Machado da Silva e colocou como cidade de nascimento Rio Brilhante, no Mato Grosso do Sul. 

Foi registrado um endereço de moradia em Ibiporã, mas o número da residência não existe na rua Primeira de Maio. Na foto fornecida para emissão do documento, o foragido aparece com uma visual bem diferente de quando desapareceu. Os cabelos foram cortados e deixou uma barba branca. 

O funcionário trabalha há 39 anos na prefeitura e não desconfiou da certidão de nascimento. "Não passou pela minha cabeça que estava sendo enganado. Costumo passar a mão nos selos, olho tudo certinho, era um papel moeda, tudo certo. Jamais passou pela minha cabeça que poderia ser um assassino", ressaltou. 

Sistemas não são interligados
Procurado pela reportagem, o Instituto Federal do Paraná explicou que Cupertino utilizou a certidão de nascimento de um terceiro. Como não tinha digital registrada no Estado, não foi descoberto no ato. 

"Aqui no Paraná, nossa segurança é que uma mesma pessoa não possa realizar dois RGs. Se tivesse um já no Paraná, não teria conseguido fazer o outro. Nosso banco de dados confrontaria essas digitais e acusaria duplicidade", explicou Marcos Vinicius Michelotto. 

A falsidade só foi descoberta quando a Polícia Civil de São Paulo solicitou ao órgão para que fosse feito um levantamento se ele teria feito algum RG falso no Paraná. Com as digitais que já estavam no sistema paulista, chegaram ao documento falsificado. "Fizemos um trabalho de pesquisa, checando todo o banco de dados e encontramos o RG em Jataizinho. Confirmamos ter sido feito pela pessoa pelo confronto das digitais e facial", concluiu Michelotto. 

Foto registrada no RG falso e imagem divulgada pela Polícia Civil em junho do ano passado. Fotos: Divulgação

Entenda o caso
O crime aconteceu em junho de 2019, quando o comerciante Cupertino, de 49 anos, baleou e matou o ator que atuou como personagem Paçoca na novela Chiquititas e os pais dele, João Aloizio Miguel, que tinha 52 anos, e Mirian Selma Silva Miguel, 50. O comerciante entrou na lista dos homens mais procurados pela polícia de São Paulo em julho deste ano. Os homicídios aconteceram na zona sul de São Paulo. Já foram verificados quase 300 endereços suspeitos para tentar encontrá-lo, mas a Polícia Civil não teve sucesso.

Ator Rafel Miguel e os pais. Foto: Divulgação 

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