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Julgamento de Carli Filho será realizado em auditório com capacidade para 370 pessoas

30/01/18 às 08:12 - Escrito por Redação Tarobá News

Com BandNews e CBN Curitiba

Após nove anos, o ex-deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho vai a júri popular pelas mortes de Gilmar Rafael Yared e Carlos Murilo de Almeida – na época, com 26 e 20 anos, respectivamente. Em maio de 2009, o carro que Carli Filho dirigia atingiu o veículo em que os jovens estavam, na esquina entre as ruas Monsenhor Ivo Zanlorenzi e Paulo Gorski, no bairro do Mossunguê, em Curitiba. Os dois morreram na hora.

Em agosto de 2009, três meses após o acidente, o Ministério Público (MP) ofereceu denúncia criminal contra Carli Filho por duplo homicídio doloso eventual – quando a pessoa assume o risco de matar. O julgamento do caso vinha se arrastando, desde então, por causa dos inúmeros recursos apresentados pela defesa do ex-parlamentar – e acabou indo parar no Supremo Tribunal Federal (STF). Em novembro do ano passado, o ministro Gilmar Mendes, relator, entendeu que a última pendência (uma liminar envolvendo um pedido de habeas corpus feito pela defesa) perdeu o objeto, o que possibilitou a definição de uma data para o júri popular.

O julgamento foi marcado ainda no ano passado pelo juiz da 2ª Vara do Júri de Curitiba, Daniel de Avelar. O início está previsto para as 13h do dia 27 de fevereiro, no Tribunal do Juri, no Centro Cívico da capital.

A Justiça determinou que Carli Filho seja julgado por duplo homicídio doloso – quando há intenção de matar. O julgamento será em um auditório com capacidade para 370 pessoas e será aberto ao público. As regras para participação ainda não foram divulgadas, porém, é possível que sejam distribuídas senhas para aqueles que desejam acompanhar o julgamento.

Os 25 jurados que farão parte do Conselho de Sentença vão ser sorteados pelo juiz Daniel Surdi Avelar. O sorteio acontece entre 10 e 15 dias antes do julgamento. Dos 25 jurados, 15 irão comparecer à primeira sessão. De acordo com o regulamento, tanto a defesa quanto a promotoria podem excluir três jurados, sem justificativa.

Os sete jurados restantes serão os responsáveis pelo destino do réu. Se o processo não terminar no mesmo dia, os jurados serão encaminhados a um hotel – onde ficarão sem nenhuma comunicação. Eles só serão conduzidos novamente ao Tribunal minutos antes do início da segunda sessão.

No total, onze testemunhas estão inscritas: seis de acusação e cinco de defesa. Entre elas, estão dois motoristas que presenciaram o acidente.

O acidente

As investigações apontaram que Carli Filho dirigia em alta velocidade e embriagado na noite do acidente. De acordo com o exame de alcoolemia realizado no dia do crime, Carli Filho tinha quase 8 decigramas de álcool por litro de sangue – número quatro vezes acima do permitido. Ele passou pelo cruzamento a cerca de 170 km/h, acertando, em cheio, o carro dos jovens.

Carli Filho também estava com a CNH suspensa – ele já tinha recebido mais de 20 multas por excesso de velocidade.

No dia 6 de maio do ano passado, véspera do acidente completar 8 anos, Carli Filho quebrou o silêncio e gravou um vídeo pedindo perdão às famílias das vítimas. “Eu sinto muito por tudo isso que aconteceu. Eu errei sim. Eu bebi e dirigi. Meu Deus, se eu pudesse voltar atrás”, disse.

A mãe de Rafael Yared a deputada Federal Cristiane Yared, respondeu o ex-deputado no dia seguinte, também por meio de um vídeo. “Esta manifestação dele em redes dizendo que bebeu e dirigiu, nós já temos isso em auto. O que ele não entendeu ainda é que não foi um mero acidente de trânsito”, afirma. “Isso foi um crime”.

A defesa de Carli Filho não tem se pronunciado, mas sustenta a tese de que trata-se de crime de trânsito, caracterizando homicídio culposo ou homicídio involuntário, quando não há intenção de matar. Durante o processo, a defesa argumentou que o ex-parlamentar transitava em uma via preferencial quando atingiu o veículo dos jovens, que passava pelo cruzamento.

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