General diz que Incra vai atuar sem 'atropelo institucional'

Estadão Conteúdo
Política | Publicado em 11/02/2019 às 08:15

Indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para comandar o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o general do Exército João Carlos Jesus Corrêa disse que vai adotar medidas corretivas no órgão responsável por executar a reforma agrária e o ordenamento fundiário nacional, mas sem "atropelo ou estresse institucional". "Se a gente tiver de tirar dali uma gema que está estragada, se for de forma precipitada, vai quebrar o ovo", afirmou.

O novo presidente do Incra afirmou que seguirá a diretriz de Bolsonaro de que o órgão deve se ocupar apenas com questões técnicas, e não político-partidárias. "Exatamente esta é a diretriz na qual eu me amarrarei", afirmou. Ele, no entanto, não quis comentar a opinião do secretário especial de Assuntos Fundiários, Luiz Antônio Nabahn Garcia, que declarou ao jornal O Estado de S. Paulo que a "farra" dos sem-terra vai acabar na nova gestão.

A nomeação do novo presidente do Incra deve ser oficializada no Diário Oficial da União de hoje. O anúncio foi feito depois de o Estado ter informado que o governo havia suspendido as indicações e dispensas de cargos comissionados para conter uma "rebelião" de aliados, que começou justamente no Incra. A medida para barrar as indicações do segundo escalão foi motivada por queixas que chegaram ao Planalto de que vários Estados trocaram superintendentes do órgão ou fizeram ameaças de exoneração, sem qualquer motivo concreto.

"Minha maneira de proceder durante toda a vida profissional foi de conduzir os processos com harmonia. Aquilo que tem de ser feito, eu sempre procurei fazer e não gosto de ficar fazendo estardalhaço, alardeando. Sempre comandei e conduzi meu trabalho evitando a personalização das realizações", disse o general, oitavo nomeado para postos estratégicos do governo.

O general Jesus Côrrea também afirmou que só vai manter diálogo com entidades que possuem experiência e identidade jurídica. Ele não quis falar especificamente sobre o MST, movimento social que não possui identidade jurídica, como CNPJ. Afirmou que vai buscar um "canal direto" para dar prioridade aos processos pendentes. "A ideia é realmente nós falarmos direto com que realmente está sendo afetado, e movimentos e ONGs normalmente acabam sendo um intermediário entre o governo e aqueles que necessitam de uma ação mais célere", criticou. Segundo ele, "o governo federal se propõe a estabelecer a Justiça no campo".

Sobre invasões de terras, o novo presidente do Incra disse não ter "a menor dúvida" de que o governo vai considerar como atos ilegais e vai estabelecer a ordem. "Não acredito que este artifício venha a ser utilizado principalmente porque o governo está pretendendo realizar ações de amplo espectro social. Se isso realmente vier a acontecer, é algo que vai ter de ser analisado no momento oportuno." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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