Londres cria zona de "ultrabaixa" emissão de gases no centro da metrópole

Redação Tarobá News
29/07/2019 10:06

Desde abril, Londres ampliou suas restrições à circulação de veículos como forma de tentar limpar ainda mais o ar tóxico que, segundo instituições locais, segue causando diversas mortes. Uma zona de ultrabaixa emissão, chamada de Ulez, foi lançada no começo daquele mês cobrando uma taxa de £12,50 (cerca de R$ 60) por dia para dirigir na região central da metrópole.

A expectativa é que a mudança reduza as emissões dos veículos em cerca de 45%. O prefeito, Sadiq Khan, defendeu a decisão mostrando uma pesquisa que dizia que cerca de mil pessoas são hospitalizadas por ano na cidade com asma causada pela poluição.

A cobrança será feita dentro da zona tarifada de Londres o tempo todo, e motoristas que dirigirem carros poluidores durante o dia terão que pagar duas tarifas, ou seja, £24 (R$ 112), para entrar na área central da capital britânica entre 7 da manhã e 6 da tarde. O custo do pedágio urbano será aplicado a proprietários de automóveis movidos a diesel e carros e vans cujos motores não têm a certificação Euro 6, emitida desde 2015, assim como sobre veículos com mais de 14 anos de uso. Ônibus particulares e caminhões vão pagar £100 (R$ 466).

A prefeitura de Londres afirma que a medida vai melhorar a qualidade do ar na cidade ao limitar viagens de carros poluidores, além de incentivar as pessoas a usarem modelos de transporte alternativos e mais limpos.

Uma grande mudança - mas um potencial choque para os moradores da capital britânica que possuem os carros mais poluentes - pode acontecer em outubro de 2021, quando a Ulez será expandida para todas as áreas chamadas circulares, dentro do anel rodoviário londrino. Isso significará a abrangência de 640 mil novos veículos dentro da zona, sendo que 135 mil deles possuem as características das cobranças.

Outras cidades, como Birmingham e Leed, já afirmaram que vão introduzir zonas de ar limpo em 2020, e Manchester deve seguir a mesma tendência. Shirley Rodrigues, congressista do parlamento municipal cuja bandeira é o meio ambiente, disse que a poluição do ar é uma questão de justiça social. "Os mais pobres são os menos prováveis a ter um carro, mas os que mais sofrem com as altas taxas de poluição", disse ao jornal Telegraph.

Atualmente mais de 2 milhões de pessoas - incluindo mais de 400 mil crianças - vivem em áreas onde a qualidade do ar ultrapassa os limites legais de dióxido de nitrogênio. A prefeitura prevê que as medidas vão trazer quase Londres inteira - excluindo estradas maiores e a área ao redor do aeroporto de Heathrow - para dentro dos limites legais até 2025, e que nenhuma escola primária e secundária da cidade estará em áreas de poluição. Até o momento, a qualidade do ar ultrapassa os limites legais em 451 escolas.

Um estudo publicado pelo King's College London e Imperial College London afirma que, a cada dia, cerca de quatro londrinos, incluindo uma criança de menos de 14 anos, são hospitalizados por dificuldades de respiração decorrentes da poluição do ar. Pesquisadores estimam que uma em cada 10 crianças que dão entrada em hospitais com asma foi diretamente afetada pela poluição.

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