Saúde emocional: como lidar com o sentimento de Luto?

Redação Tarobá News
12/07/2019 17:46

Lidar com o luto é uma questão de saúde. Por isso, esse é um dos temas abordados na Rede de Cuidados Continuados que a Unimed Cascavel está implantado. A seguir, leia o que a psicóloga Daniela Bernardes diz a respeito desse período, que pode começar antes mesmo da morte de alguém.

Unimed Cascavel – O que é o Luto?
Daniela Bernardes – Em linhas gerais, luto é um processo emocional e cognitivo de adaptação à perda, cujo ‘trabalho’ demanda reorganização interna e externa para administrar as mudanças geradas pela ausência de alguém ou algo em quem depositamos afeto, expectativas e sonhos.

UC – Como o luto impacta na vida das pessoas?
DB – O ‘trabalho’ de luto pode ser vivenciado de maneira positiva ou negativa, o que muda é o significado depositado na perda. Ele é um processo natural e saudável. O impacto gerado pelo luto e o significado a ele atribuído depende de fatores como: tipo de relação estabelecida com quem se foi, características de personalidade de quem fica, doenças emocionais e psiquiátricas pré-existentes do enlutado, idade do enlutado, idade de quem se foi, tipo de morte, dentre outros; de modo que a relação do enlutado com cada um dos fatores é o que dará o tom ao enfrentamento do luto e à ressignificação da perda, ou adoecimento em decorrência da vivência negativa a ele atribuída.

UC – Quais tipos de luto existem e quão comum eles são na nossa vida diária?
DB – Temos o luto antes da perda e o luto após a perda que chamamos de luto antecipatório e luto complicado, ou Transtorno de Luto Complexo Persistente, de acordo com o DSM-V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais). O processo de luto é algo comum e pelo qual todos, em dado momento da vida, iremos vivenciar em maior ou menor grau.

O luto antecipatório, como o próprio nome já diz, acomete as pessoas que estão na iminência da perda ou imaginando que ela possa ocorrer em algum momento, cujos sinais de enlutamento aparecem antes mesmo da partida; já o luto complicado se instala quando a intensidade do sofrimento se associa ao tempo prolongado deste sofrimento (mais de 12 meses), cujo tempo gera controvérsias entre autores e estudiosos do tema, levando em conta o luto ser um processo individual e de difícil mensuração nestes termos. Sendo estes os sinais a serem observados após a perda:
• O enlutado emociona-se perante a menção ao ente querido?
• O enlutado idealiza os aspectos positivos do ente querido, “esquecendo o que é negativo?
• O enlutado imita características comportamentais do ente querido perdido?
• O enlutado investe de modo excessivo em laborais ou sociais?
• O enlutado tem o sentimento de vazio?
• O enlutado sente ter perdido uma parte de si mesmo?

UC – É possível melhorar a qualidade de vida de uma pessoa com Luto? Como é o luto em uma doença grave?
DB – A qualidade de vida de uma pessoa enlutada (quando o mesmo se torna “crônico”) é passível de ser melhorada desde que haja abertura do indivíduo para aceitar auxílio e ajuda na compreensão de que as perdas são parte da vida e um processo pelo qual todos estamos sujeitos; o que depende de diversos fatores individuais, culturais e sociais, cujo luto em uma doença grave depende destes mesmos fatores.

UC – Quais os principais problemas que os familiares de uma paciente com doença avançada enfrentam com relação às perdas?
DB – Doenças graves geram perdas em todos os sentidos, sejam emocionais, financeiras, de papéis familiares e sociais, de tempo para o autocuidado, dentre outras, cuja reconstrução de alguns deles é parte do processo de luto e este é o objetivo do ambulatório de cuidadores/luto: auxiliar na ressignificação das perdas e na reconstrução de um novo olhar frente à perda e à vida após a perda.


Daniela Bernardes é psicóloga Clínica e Domiciliar. Especialista em Psicologia Hospitalar com ênfase/prática em Saúde do Idoso e Cuidados Paliativos pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP). Neuropsicóloga pelo Instituto Lev Vigotsky, Practitioner em Programação Neurolinguística (PNL) pela Sociedade Brasileira de PNL. Atuou como Preceptora da Residência Multiprofissional em Saúde do Idoso e Cuidados Paliativos do HCFMUSP por 4 anos. Atuação em consultório particular há 10 anos.

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