O mito de que o coração não dói e por que você deve dar atenção ao sintoma

Redação Tarobá News
06/05/2019 07:49

No dia 16 de agosto de 1977, no banheiro da mansão Graceland, no Tennessee, o coração de Elvis Presley parou de bater. E embora a causa oficial tenha sido arritmia cardíaca, esta é uma condição que só pode ser identificada em pessoas vivas.

O rei do rock possuía um histórico de sofrer de fortes dores no peito, insônia, hipertensão e grande ganho de peso. A necropsia, além de identificar inúmeros medicamentos em seu corpo, mostrava também problemas em suas artérias do coração. Aparentemente todo esse histórico não foi valorizado....

Assim como o rei do rock, é comum que pacientes não relacionem a dor no peito a problemas no coração: eu frequentemente escuto em consultório que o coração não dói.

Este conceito errado deriva de algumas pessoas que são internadas por infarto do miocárdio sem nunca terem referido dor. Podem ter como manifestação um chamado "aperto", "peso", desconforto ou "mal-estar" torácico. Existem também manifestações mais atípicas, como fraqueza geral, náuseas, vômitos, suores intensos, desmaio ou taquicardia (aceleração do coração). Ainda é possível no limite, o infarto ter ocorrido sem nenhum sintoma e ser apenas um achado de exame, mas essa não é claramente a regra.

Este é um dos grandes mitos que erroneamente continua sendo repetido. O coração dói e dizemos que nem toda dor no peito é de origem cardíaca, mas toda dor no peito pode ser e por isso merece atenção.

No Brasil, as doenças do aparelho cardiovascular constituem as principais causas de mortalidade, seguidas por neoplasias, causas externas (violentas) e doenças do aparelho respiratório. A SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia estima que em 2016 ocorreram 362.091 mortes por doença cardiovascular em nosso país. Em 2017, o número aumentou para 383.961.

E quando o infarto não tem sintomas?

As coronárias são as artérias do coração que quando estão obstruídas total ou parcialmente produzem os infartos, a chamada angina que é a dor no peito e a isquemia (falta de irrigação sanguinea).

Do ponto de vista estatístico, 40% dos pacientes com doenças dessas artérias (obstruções) têm sua primeira manifestação como infarto agudo do coração e 10% a 20% dos casos se apresentam como morte súbita. Sabe-se atualmente que a presença de dor no peito representa apenas o pico de um iceberg, sendo a maior parte das manifestações de isquemia do coração sem sintoma algum, mas nem por isso menos perigosas. Longe vão os tempos em que se dizia "sem dor, sem preocupação", quando nos referíamos à dor como a grande amiga do homem. Talvez dai também, a morte de origem cardiovascular em pessoas sem sintomas prévios reforce o mito de que coração não dói e a interpretação errônea de que a presença da dor não pode ser do coração.

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