Juro fecha em baixa com câmbio, relatório da Previdência e apostas para a Selic

Estadão Conteúdo
Economia | Publicado em 13/06/2019 às 18:25

Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasi

O movimento de realização de lucros visto na quarta-feira no mercado de juros, que puxou as taxas levemente para cima, não teve forças para prosperar e elas voltaram a recuar nesta quinta-feira, 13. As que mais caíram foram as curtas e intermediárias, refletindo principalmente o cenário de atividade fraca e inflação baixa que, às vésperas da decisão do Copom, reforça o debate sobre a necessidade de corte da Selic, também considerando a queda do dólar. Dado o movimento expressivo de alívio de prêmios nas últimas semanas, algumas taxas já estão abaixo de 6%. Nos vencimentos mais longos, a maior influência veio da avaliação do parecer do relator da reforma da Previdência, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP).

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para abril de 2020 fechou em 5,990%, ante 6,078% quarta no ajuste. A taxa do DI para janeiro de 2021 caiu de 6,189% para 6,07% e a do DI para janeiro de 2023, de 7,111% para 7,01%. A taxa do DI para janeiro de 2025 encerrou em 7,54%, de 7,631%.

"O mercado olhou o relatório, o dólar e o ambiente de atividade e inflação favorável a juros mais baixos. Com isso, segue a doação desenfreada do DI", disse Vitor Carvalho, sócio-gestor da LAIC-HFM.

Nesta quinta-feira, a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) mostrou alta de 0,3% no volume de serviços prestados em abril ante março, abaixo da mediana das expectativas, de +0,5%. Se não chegou a afetar diretamente as taxas, o dado ajuda a compor o cenário de estagnação da atividade e a alimentar o pessimismo para o PIB também do segundo trimestre. Em meio a isso, prosseguem as revisões para baixo do PIB de 2019, que já atingem níveis sombrios. A Necton Investimentos, por exemplo, reviu sua estimativa de 0,8% para 0,5%. A consultoria britânica Capital Economics agora espera 0,8%, de 1,5%.

Na curva, segundo a Quantitas Asset, a precificação para a Selic para o Copom de junho é de -5,5 pontos, o que aponta 22% de chance de queda de 0,25 ponto, ante apenas 9% na quarta. A expectativa de manutenção é amplamente majoritária, de 78%, mas na quarta era ainda mais (91%). Para o fim de 2019, a precificação é -63 pontos, ou seja, meio do caminho entre 0,50 ponto e 0,75 ponto porcentual.

Nos longos, o mercado continuou reduzindo prêmios com a melhora da percepção de risco fiscal e político. A apresentação do texto do relator Samuel Moreira (PSDB-SP) à comissão especial da Câmara era o principal evento do dia e, ainda que boa parte do conteúdo estivesse nas contas do mercado, houve um certo alívio com o fato de que a proposta deve garantir uma economia fiscal de R$ 913,4 bilhões em dez anos. Na quarta havia algum receio de que o valor ficasse em torno de R$ 800 bilhões, o que é esperado que ocorra somente nas próximas fases de negociação da proposta no Congresso.



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