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Mercado vai olhar dólar lá fora, mas crise pode pesar antes do fim de semana


Mercado vai olhar dólar lá fora, mas crise pode pesar
Foto: Divulgação

O risco político segue no foco, mas o mercado de câmbio pode realizar lucro nos primeiros negócios na esteira da queda do dólar em meio à ligeira alta do petróleo no exterior e depois da divisa ter subido aos R$ 3,3400 no balcão ontem - maior valor desde o fechamento em 18 de maio (aos R$ 3,3868), um dia após as delações de executivos da JBS envolvendo o presidente Michel Temer e o seu ex-assessor especial Rodrigo Rocha Loures, o "homem da mala". O dólar futuro para julho subiu 0,10% e fechou aos R$ 3,3470, perto da máxima intraday (R$ 3,3560).

A expectativa de desaceleração do IPCA-15 de maio ante abril, se confirmada, poderá apoiar uma queda de juros com eventual pressão de baixa também sobre o dólar, na medida em que uma inflação mais fraca pode vir a estimular novas apostas na continuidade de corte de 1 ponto da Selic na reunião do Copom de julho (dias 25 e 26/7), segundo um operador de uma corretora.

Como contraponto, podem amparar demanda defensiva e alta de preço o cenário político e fiscal incerto e a decisão dos Estados Unidos de suspender a compra de carne fresca do Brasil, o que reduz expectativas de ingressos de fluxo comercial. Ontem, parte do avanço da moeda ante o real durante a manhã apoiou-se em decisão judicial vetando o desbloqueio de bens da companhia, de cerca de R$ 1 bilhão e também o pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) de bloqueio de bens da empresa e dos responsáveis pelos financiamentos conseguidos com o BNDES.

Na quinta-feira, 22, o Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para manter a validade da delação do Grupo J&F e confirmar Edson Fachin como relator do caso. O julgamento da validade da delação do Grupo J&F será retomado na próxima quarta-feira, 28. O ministro Fachin, por sua vez, disponibilizou uma cópia digital dos autos do inquérito aberto contra o presidente Michel Temer para a Procuradoria-Geral da República. Na prática, a medida abre um prazo de cinco dias para que o órgão apresente denúncia contra Temer. Fachin também pediu para que a Polícia Federal remeta, "tão logo ultimado", o relatório final do inquérito e a perícia feita da gravação da conversa entre Temer e o empresário Joesley Batista, do Grupo J&F, dono da JBS. Além de corrupção passiva, o inquérito contra o presidente também investiga os crimes de obstrução à Justiça e formação de organização criminosa. Se houver apresentação de denúncia, o caso terá que ser analisado pela Câmara dos Deputados. A expectativa hoje é que Temer teria força para barrar o processo no Legislativo.

No exterior, o petróleo opera perto da estabilidade, com um viés de alta por volta das 7h35, após ter subido ontem, interrompendo três dias de perdas seguidas em meio a preocupações contínuas com os excedentes globais da oferta. Ainda assim, a commodity segue no bear market - quando os preços estão 20% mais baixos na comparação com a máxima do ano. Nesta semana e ontem o contrato do WTI registrou o pior fechamento em 10 meses em Nova York. Hoje, a China anunciou aumento de importações de petróleo em maio e analistas preveem que as compras da China devem continuar a aumentar, após terem crescido ao segundo maior nível já registrado em maio, com refinarias dispostas a aproveitar as margens de refino ainda adequadas, em meio a preços baixos da commodity. O esforço de Pequim para elevar sua reserva estratégica também contribuiu, segundo analistas. No mês passado, a China importou 37,2 milhões de toneladas de petróleo, um avanço de 15,4% ante igual período do ano passado, segundo dados oficiais desta sexta-feira.


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