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'Não estamos atrás de placas ou homenagens', diz ex-funcionário da Volks

15/12/17 às 09:45 - Escrito por Estadão Conteúdo
Foto: Reprodução -

Preso em julho de 1972 no setor de prensas, onde trabalhava, o ex-funcionário da Volkswagen Lúcio Bellentani foi levado a uma sala onde, segundo ele, recebeu socos, chutes e pontapés. Depois foi transferido para o Departamento de Ordem Política e Social (Dops).

Ficou preso por quase dois anos, levou choques, teve dentes arrancados com alicates, entre outros tipos de tortura. Hoje, com 72 anos, preferiu participar de um protesto em frente aos portões da montadora a ir ao evento. No pequeno grupo estavam dois outros ex-funcionários que também foram perseguidos pela ditadura.

A Volkswagen do Brasil reconheceu nesta quinta-feira, 14, que deu apoio ao governo militar e que houve repressão a funcionários dentro da fábrica de São Bernardo do Campo (SP). Na tentativa de se reconciliar com o passado, a montadora inaugurou uma placa em memória a todas as vítimas da ditadura e anunciou financiamentos a projetos sociais.

Veja, abaixo, trechos da entrevista que Lúcio Bellentani concedeu ao jornal O Estado de S. Paulo.

Qual sua avaliação sobre o relatório?

É ridículo. Não traz nenhuma prova concreta do que a Volkswagen fez, ao contrário dos documentos já disponíveis no Ministério Público. O professor Christopher Kopper tem muita credibilidade, mas acho que a empresa não abriu todo seu arquivo a ele.

O presidente da Volkswagen, Pablo Di Si, disse que lamenta muito o que ocorreu, mas que, segundo o próprio relatório, não houve uma cooperação institucionalizada na repressão.

É um cinismo por parte dele. O MP tem mais de 500 documentos com provas de violações ocorridas dentro da empresa que eram de conhecimento da direção.

O que acha da placa inaugurada hoje? (ontem, dia 14)

Não estamos atrás de placas ou homenagens. Queremos que a empresa se apresente ao MP - o que não fez até agora - e inicie um processo de negociação para evitar a judicialização do processo.

O que o grupo reivindica?

Queremos que a empresa venha à publico dizer que errou e faça uma reparação coletiva. Pode ser um memorial, um museu para que os jovens conheçam a verdadeira história da ditadura no País. Também pedimos indenização coletiva. Alguns ex-funcionários que nunca mais conseguiram empregos por terem os nomes em uma "lista negra" passaram e passam por muitas dificuldades.

A empresa diz que, no momento, não pensa em indenização.

Se houver a judicialização do processo, quem decidirá isso será a Justiça.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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