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"Pela Janela" é um filme de jornada e recomeço pessoal

18/01/18 às 08:22 - Escrito por Redação Tarobá News

Vou roubar as palavras ditas pela equipe do longa "Pela Janela" e definir a história de Rosália como uma experiência para ser sentida, antes de mais nada, para enfim, poder compreender a protagonista vivida pela atriz Magali Biff. O filme dirigido por Caroline Leone, foi exibido na 45ª edição do Festival de Cinema de Gramado, e retrata o drama de Rosália, que é demitida do seu trabalho após 30 anos de dedicação. Deprimida, ela é consolada pelo querido irmão José (Cacá Amaral) que a leva para uma viagem de carro até Buenos Aires, Argentina. A viagem será fundamental para Rosália ampliar a sua visão sobre o mundo e também de si mesma.

Como dito antes, "Pela Janela" não é um filme de ação, mas de reflexão. Com seu modo silencioso, nós acompanhamos a viagem destes dois irmãos que reafirmam este sentimento de união até o fim do trajeto. Ele, por não querer ser invasivo, não toca no assunto da demissão e a vai conduzindo sutilmente no famoso “bola pra frente” que a vida segue. O trabalho de Cacá Amaral é delicado e demonstra todo carinho que o personagem tem pela irmã, que também se dedicou a cuidá-lo ao longo dos anos. Seria muito mais como uma troca de papéis neste momento difícil na vida de Rosália. Ela, que aparentemente não tem filhos e nenhum vínculo fora do emprego, se vê perdida neste período que pode ser tão complicado para um mulher no auge dos seus 60 e poucos anos. O olhar, a postura e o sentimento de tristeza é expressado corporalmente pela atriz Magali Biff que compõe uma personagem difícil. Entretanto, é muito fácil se solidarizar com Rosália, que nos detalhes da sua passagem na tela, vai conhecendo muito mais do mundo fora da sua realidade e que absorve isto como forma de autoconhecimento.

O filme de Caroline Leone abre espaço para colocar uma mulher madura em cena e deixá-la representar esta história tão próxima do nosso cotidiano. É importante ressaltar que "Pela Janela" é um filme para ser observado em todos os seus aspectos. O olhar que a diretora apresenta para o público é para exatamente nos colocar como companheiros de Rosália, como se de alguma forma, nós estamos ali também para apoiá-la neste momento solitário. É um filme sensível, que traz a representatividade destas mulheres com mais de 60 anos nas telas, e principalmente, quer que cada porta fechada seja a oportunidade de abrir uma nova janela na vida.

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