Trump assina decreto que altera política americana com Cuba

Estadão Conteúdo
Mundo | Publicado em 16/06/2017 às 15:55

Foto: CNN

O presidente Donald Trump defendeu o embargo econômico dos Estados Unidos contra Cuba e condicionou avanços na relação bilateral a mudanças políticas na ilha na direção de eleições livres, libertação de presos políticos e respeito à liberdade de expressão. "Eu estou cancelando o acordo completamente unilateral da última administração com Cuba", declarou em discurso realizado nesta sexta-feira, 16, em Miami.

Apesar da declaração, Trump reviu apenas questões pontuais da política anunciada por Barack Obama no dia 17 de dezembro de 2014. As mudanças acabam com a possibilidade de viagens individuais para a ilha e proíbem gastos em estabelecimentos turísticos controlados pelo Exército e os setores de inteligência e segurança do país. "Lucros provenientes do turismo foram diretamente para as forças armadas", afirmou.

Além da reversão desses pontos, a grande transformação foi de tom e na sinalização do futuro da relação bilateral. Enquanto Obama defendeu o levantamento do embargo, Trump prometeu reforçá-lo. A agressividade retórica contra o governo de Raúl Castro também indica uma desaceleração do ritmo de normalização das relações bilaterais.

Um dos objetivos do novo acordo, explicou Trump, é garantir que a população cubana seja beneficiada diretamente pelo novo acordo. O presidente norte-americano, entretanto, buscou frisar que 'atrocidades' cometidas desde o início do regime dos irmãos Castro não serão toleradas e insinuou que o governo de Barack Obama negligenciou a prática de crimes contra a população da ilha.

Trump disse que as sanções não serão levantadas até que todos os presos políticos do país estejam livres, que os partidos políticos sejam legalizados, que a liberdade de expressão seja restabelecida e que eleições livres e sujeitas à supervisão internacional sejam marcadas. "O governo cubano precisa parar de prender pessoas inocentes e deve abrir o seu mercado ao livre comércio", completou.

Cercado pela comunidade de exilados que se opõem a Castro, Trump atacou o governo cubano e previu que seu fim "está próximo". "Respeitamos a soberania de Cuba, mas isso não significa que viraremos as costas ao povo cubano", alertou Trump. O presidente disse ainda que está disposto a negociar um novo acordo, "muito melhor do que o anterior", com Cuba, desde que a ilha dê passos na direção da liberalização política e econômica.

O anúncio foi realizado no Teatro Manuel Artime, batizado em homenagem a um dos veteranos da invasão da Baía dos Porcos, uma operação fracassada patrocinada pela CIA em 1961 com o objetivo de derrubar o governo Fidel Castro. O presidente chamou ao palco três dissidente que passaram mais de uma década na prisão em Cuba. No início de seu discurso, o presidente disse que a líder das Damas de Branco, Berta Soler, e o ativista José Ferrer foram impedidos pelo governo da ilha de viajar a Miami para participar do anúncio.



Relacionados

Mundo | 06-10-2018 11:55

Governo da Indonésia considera transformar áreas devastadas em valas comuns

Governo da Indonésia considera transformar áreas devastadas em valas comuns

Mundo | 06-10-2018 11:20

Nos EUA, criança de 2 anos põe mais de US$ 1.000 em triturador de papel

Nos EUA, criança de 2 anos põe mais de US$ 1.000 em triturador de papel

Mundo | 05-10-2018 16:25

Chefe da Interpol teria sido levado à China pelo Partido Comunista, diz jornal

Chefe da Interpol teria sido levado à China pelo Partido Comunista, diz jornal

Mundo | 05-10-2018 16:10

Nas Filipinas, porta-voz pede a Duterte que revele seu estado de saúde

Nas Filipinas, porta-voz pede a Duterte que revele seu estado de saúde